Aparelho proibido de defesa é apreendido com estudante
Paulo Ubiratan
Londrina
Um aparelho de defesa que emite choques com capacidade de derrubar e até matar uma pessoa adulta foi apreendido pela polícia ontem, com um aluno do Colégio Vicente Rijo, localizado na área central de Londrina - é a segunda maior escola estadual da cidade.
Segundo informações passadas pela Polícia Militar, o aparelho foi comprado de um outro aluno, que teria adquirido de um homem que estava em um Corsa, estacionado nas proximidades do colégio. O aparelho seria para o adolescente se defender de roubos, quando estivesse trabalhando no caixa da padaria dos pais. A arma de defesa foi recolhida pela polícia e, o menor e os pais, intimados a prestar depoimento hoje, na Vara da Infância e Juventude.
O que aconteceu reflete perfeitamente a síndrome do pânico entre os adultos, que a transfere para os filhos adolescentes. Existe uma grande diferença em alertar contra o perigo e estimular uma pessoa a andar armado. Temos que ter bom senso, nos comunicar com os filhos com clareza e sinceridade, sem pânico, alertou a promotora da Vara de Infância e da Juventude, Édina Maria de Paula.
Na opinião de Édina, o problema não está na potência da arma que o menor ou alguém inabilitado pretende usar. Qualquer tipo de arma é perigosa e pode provocar tragédias. Devemos evitar isto, porque existem outras formas de nos defender.
O aparelho possui uma bateria de 9 volts. Segundo o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Manoel da Cruz Neto, o aparelho funciona com baixa amperagem e alta voltagem, permitindo apenas que a vítima seja jogada no chão pelo choque. O impacto é parecido com a descarga de uma bobina de automóvel que emite entre 12 mil a 15 mil volts. No entanto, o aparelho poderá matar instantaneamente uma pessoa que use marcapasso.
O uso deste aparelho está proibido no Brasil desde 1980, por causa de protestos do setor de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele era usado pela polícia em combate a protestos de rua e nas ações de torturas durante o regime militar.
A diretora do Colégio Vicente Rijo, Vera Akaishi, disse apenas que o estudante foi suspenso por portar o aparelho na sala de aula. Ela ressaltou que o adolescente é um bom aluno e não quis comentar sobre o fato.





