Maigue Gueths
De Curitiba
A aplicação de altas multas e a aferição de pontos na carteira com risco de suspensão da mesma, previstas pelo novo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) acabou despertando a criatividade de algumas pessoas, que decidiram ganhar dinheiro com as novas exigências. É este o caso do ex-estudante de Teologia Wesley Rodrigues, 26 anos, e do estudante de Administração Mário Fante, 42 anos, que estão vendendo, em todo o Paraná, um aparelho batizado de Anti-Multas. O mecanismo, fabricado por uma empresa paulista, emite um sinal sonoro cada vez que o motorista ultrapassar o limite de velocidade permitido.
O Antimultas é um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos, ligado aos sensores de velocidade do veículo, o qual pega a aferição do painel. O equipamento possui quatro memórias programáveis pelo motorista, ligado a quatro botões que serão acionados pelo usuário cada vez que ele entrar em uma rua com limite de velocidade diferente. ‘‘Em Curitiba, a pessoa pode programar as velocidades de 60 e 70 km/h usadas na cidade e de 80 e 110 km/h para estradas’’, diz Rodrigues.
O preço do aparelho com instalação a domicílio incluída é R$ 99,00 para os veículos que têm sensor de velocidade. Aqueles que não possuem, terão que instalá-lo, gastando mais R$ 50,00 a R$ 150,00, dependendo da marca do carro. Só os veículos com hodômetro digital (instrumento para medir distâncias percorridas), a maioria fabricado depois de 1997, possuem o sensor de velocidade de fábrica. De fácil colocação, o produto está sendo vendido para o interior do Estado pelo Correio, com manual de instalação que permite que outras pessoas o coloquem.
O aparelho está sendo comercializado no Paraná há 45 dias. Neste período, foram instalados cerca de 100 unidades, e mais seis empresas estão testando o aparelho para definir a instalação em suas frotas. A expectativa é que a demanda pelos aparelhos aumente bastante depois das férias, quando as pessoas passarem a receber multas por excesso de velocidade e não mais apenas avisos educativos, como está sendo feito em Curitiba.
‘‘A vantagem é grande, já que o aparelho custa menos do que a menor multa’’, diz Rodrigues, lembrando que há um ano ele e alguns técnicos em eletrônica, após três meses de trabalho, desenvolveram um sistema semelhante. ‘‘Mas aí surgiu o aparelho já patenteado de São Paulo e minha idéia teve que ficar de lado’’, diz. A intenção, agora, é aperfeiçoar ainda mais o aparelho, com a instalação de mais um sensor, patenteá-lo e passar a vender a invenção curitibana. ‘‘Só preciso de um sócio disposto a investir R$ 25 mil para pagar a patente, cobrir os cerca de R$ 8 mil gastos no desenvolvimento do projeto e fabricar as primeiras mil unidades.’’

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