Um aparelho com o qual uma pessoa tetraplégica pode acionar qualquer eletrodoméstico ou mesmo acender e apagar a luz, utilizando apenas a voz. O protótipo desse sistema que aciona saídas elétricas de uma residência é fruto de uma pesquisa desenvolvida por duas professoras e dois alunos da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), de Londrina.
O resultado da pesquisa fez com que o grupo fosse homenageado, no final de agosto, em Itajaí (SC), durante o III Congresso Brasileiro de Computação - CBComp 2003. Os homenageados foram as professoras Marília Abrahão Amaral e Márcia Marcondes Altimari Samed, e os alunos Rodolfo Barriviera e João Brauko II, que receberam uma Menção Honrosa.
O grupo levou cerca de oito meses para ter certeza da funcionabilidade do
protótipo. O aluno de engenharia da computação, Rodolfo Barriviera, explicou que foi desenvolvido um software e uma placa de circuito integrado. Instalado em um computador, o software se comunica, via saída paralela, com a placa, que aciona os aparelhos que estiverem plugados nas tomadas. ''No futuro, queremos desenvolver a mesma função, através da internet e do celular'', completou.
Barriviera frisou que a pessoa a ser beneficiada pela pesquisa, primeiro passa por um treinamento, onde faz a leitura de textos para que o software reconheça sua voz. Em seguida, são gravados os comandos que devem ser executados. Após isso, o sistema fica preparado para receber os comandos. Segundo ele, nessa primeira fase, o protótipo está preparado para receber ordens de somente uma pessoa. Existe também a possibilidade de acionamento com o uso do mouse do computador.
A professora Márcia Samed observou que existem sistemas similares ao desenvolvido na Unopar em países da Europa e nos Estados Unidos. Porém, os valores são elevados, o que dificulta o acesso das classes mais baixas da população. Ela acrescentou que, em relação a uma instalação elétrica convencional, os custos desse sistema são cinco vezes maiores, já que a residência precisa ser preparada para recebê-lo. Sobre o protótipo da Unopar, ainda não existe uma definição do valor para comércio.
Para colocar em prática o estudo, o grupo busca agora parceria com uma entidade que atenda pessoas portadores de necessidades especiais. A princípio, o objetivo é manter um contato com a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), de São Paulo. A entidade, fundada em 1950, realiza mais de 1,5 mil atendimentos diariamente. Existe ainda a possibilidade do teste ser realizado com uma entidade de Londrina.
A funcionária da Pastoral do Portador da Deficiência, Maria José Alves Pizza, comentou que, mesmo não conhecendo o projeto, tudo que for feito para amenizar os problemas dos portadores de deficiência deve ser aproveitado.

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