Aparelho do Aeroporto é ultrapassado
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quarta-feira, 30 de setembro de 1998
Lúcio Horta 
Esse equipamento, o NDB, é do tempo em que avião era tocado a lenha. A opinião - em tom de ironia - é do empresário e pecuarista londrinense Marco Túlio Tomasetti. Ele se refere ao aparelho que está sendo utilizado pelo Aeroporto de Londrina em substituição ao VOR (equipamento de auxílio a pousos e decolagens que não está em condições de uso). O aeroporto tem se tornado inoperante nos últimos dias devido ao mau tempo e à falta de instrumentos de navegação áerea, causando transtornos a usuários e empresas aéreas. A Folha, juntamente com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), inicia campanha pela melhoria do aeroporto.
Duas vezes presidente do Aeroclube local (gestões 89-90 e 91-92), presidente na mesma época da Federação Paranaense de Aeroclubes e homenageado pelo mérito Santos Dumont (comenda concedida pelo Ministério da Aeronáutica por benefícios prestados à aviação), Tomasetti discorda e critica a avaliação da Infraero (responsável pela administração do aeroporto) de que o NDB tenha a mesma eficiência do VOR no auxílio de navegação aérea.
Ele (o NDB) não tem precisão alguma. É uma tecnologia de 60 anos que ninguém mais usa. Hoje, somente a aviação agrícola, instrução primária ou algum fazendeiro perdido voam no visual. Os outros só voam por instrumento, diz. O empresário, que também é piloto comercial, explica que o NDB apenas orienta a aeronave - com uma simples seta instalada no painel -, sobre a direção em que está o aeroporto. Informa ainda que o NBD funciona em frequência de rádio AM e, quando ocorre uma tempestade, fica completamente desorientado e perde a função. A descarga elétrica interfere no seu funcionamento. Então, a primeira coisa que o piloto faz, quando vê uma tempestade, é desligar o aparelho, diz.
Tomasetti acrescenta que o NDB de Londrina é valvulado e não diminui nem teto nem visibilidade, como chegou a ser afirmado pela Infraero. Ou seja, como o aparelho somente orienta a direção que deve ser tomada pela aeronave, todos os procedimentos de descida têm que ser feitos através das cartas aeronáuticas. Esse é um procedimento matemático, a coisa mais elementar que existe. É incrível que se faça um jato moderno, como os que existem hoje, descer por esse sistema.
Para piorar, aponta o empresário, o NDB está sujeito a interferências de rádios piratas ou mesmo de crianças brincando com eletrônica. Ele informa ainda que qualquer pessoa que parar o carro ao lado da pista e sintonizar o rádio no começo do dial (no lado esquerdo) consegue sintonizar os sinais do NDB emitidos em código morse. Sem contar que ele está instalado na lateral da pista, acrescenta.
Marco Tomasetti defende que a única solução para a situação do aeroporto local é a instalação imediata de um equipamento mais moderno, como o ILS-1, aliado a outros equipamentos de auxílio, como radar de orientação e luzes auxiliares. Consertar o VOR - que está desabilitado pela Infraero -, para ele, não resolve o problema. O VOR daqui nunca funcionou direito e tem que ser trocado. Estão brigando com ele há anos, para ver se consertam, e não conseguem. Então não adianta insistir, é melhor trocar, opina.
Para o empresário, além de trazer prejuízos para as empresas que operam a aviação e também para os usuários, a falta de equipamentos no aeroporto - e consequente cancelamentos constantes de vôos - traz também riscos para a população. Ele assegura que é comum piloto forçar o pouso com o tempo fechado, para poder operar no visual. Por isso que é no pouso que ocorrem mais acidentes, observa. Com equipamentos como o ILS, por exemplo, que conduz a aeronave até dentro da rampa imaginária de aproximação da pista, Tomasetti garante que esse risco cairia bastante.
Para resolver definitivamente a situação, o empresário acredita que é necessário que a mobilização popular continue forte, inclusive envolvendo outros setores da sociedade. Além do mais, acrescenta, é necessário que a Infraero seja mais transparente quando comenta sobre a dificuldade em solucionar o problema, informando inclusive quem de fato pode decidir sobre a aquisição de um novo equipamento.
Tomasseti não tem esperanças, por exemplo, de que a simples entrega de um pedido de atenção ao aeroporto local ao presidente da República vá resolver alguma coisa. O documento, elaborado por empresários de Londrina, seria entregue ontem à noite, em Curitiba, pela vice-governadora Emília Belinati ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
As coisas não estão bem claras, critica o piloto. Deve ter a opinião de algum ministro dizendo que Londrina não justifica um equipamento mais moderno. Por isso é importante a mobilização.


