Aparelho ajuda deficientes visuais a identificar cores
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um aparelho criado por uma formanda em engenharia elétrica de Curitiba poderá ajudar deficientes visuais a se vestir melhor, ou, pelo menos, de forma mais harmônica. Trata-se de um dispositivo que identifica a cor das roupas, permitindo que o usuário escolha peças que combinem entre si.
A máquina ainda um protótipo é um pouco maior do que um aparelho celular e funciona por meio da tecnologia RFID (identificação por radiofrequência), a mesma utilizada em crachás de empresas ou sistemas de segurança de lojas. Por meio de tags, isto é, marcas eletrônicas do tamanho de um botão que são costuradas às roupas, o deficiente visual cria uma marca sonora com o aparelho (por exemplo: calça azul). Dessa maneira, toda vez que ele passar o leitor neste tag, ouvirá essa mensagem de voz e poderá identificar a peça.
Esse circuito, batizado de Identificador de Objetos para Deficientes Visuais, foi criado em 2008 como projeto de conclusão de curso da engenheira eletricista Fabiane Kelle de Almeida. Segundo ela, a ideia surgiu de uma pesquisa que identificou que uma das grandes preocupações dos moradores do Instituto Paranaense de Cegos era sair de casa com a roupa combinando.
Além do auxílio estético, o invento pode ser utilizado também para identificar outros objetos, como remédios e alimentos. Ele poderá ajudar, por exemplo, a diferenciar uma lata de milho de uma lata de ervilha, explica Kelle. Para o presidente do Instituto Paranaense de Cegos, Manoel Cardoso dos Passos, o invento é bem-vindo e certamente encontrará demanda junto aos deficientes visuais. Temos que ser realistas, como é que vamos saber a cor da roupa?, avalia. Segundo ele, a grande maioria dos integrantes do instituto é casada com pessoas que também são cegas, o que impede que alguém os auxilie na hora de escolher uma roupa.
Quanto à identificação de alimentos, o entusiasmo é um pouco menor. O cego é muito organizado, sabe onde está cada coisa, afirma ele.
Atualmente Kelle pesquisa a existência de aparelhos similares para poder patentear seu invento. A ideia, segundo ela, é tornar o identificador menor e produzi-lo em larga escala para baratear o custo.


