Apagões causam prejuízos e medo no Cafezal
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Um dos últimos investimentos do dono da farmácia Drogasul, no Conjunto Cafezal 4, Zona Sul de Londrina, foi a compra de um lampião de gás. Olício Flausino da Luz, 49 anos, não tem deixado o utensílio de lado. Se tornou peça fundamental em seu estabelecimento.
Por três vezes este mês, o equipamento foi um quebra-galho e tanto. A claridade precária que o velho lampião fornece já foi suficiente para distinguir uma tarja preta de uma vermelha, para ler a receita médica com a letra mais complicada. Melhor que as velas, bem menos potentes e menos simpáticas na visão dos clientes.
Entrar na farmácia de Olício nestas condições parece uma viagem ao passado. As contas são feitas na calculadora. Os pagamentos só podem ser feitos com dinheiro ou cheque. A pasta com a lista de medicamentos é única forma de consultar os preços.
Computador, caixa registradora, balança, máquinas de cartões de crédito e débito, tudo está inutilizado pela falta da energia elétrica. No último apagão, quarta-feira, o desligamento durou 45 minutos. ''Houve ocasiões que ficamos duas horas no escuro'', lembra.
A Drogasul tem 18 anos. Olício diz que o problema de queda na energia elétrica é antigo e que as reclamações com a Copel são uma rotina. ''É coisa de anos'', revela. O comerciante, entretanto, está mais preocupado que o de costume. ''As quedas são cada vez mais frequentes''.
Ele estima em R$ 200,00 o prejuízo médio por apagão. ''Ninguém compra no escuro porque não sai de casa. As pessoas têm medo de assalto'', explica. ''E como é uma farmácia de bairro, onde as pessoas compram depois que chega do trabalho, meu movimento à noite é muito grande. Perco bastante no volume de venda.'' Plano dele e de outros afetados: entregar um abaixo-assinado à Copel, talvez visitar a Câmara de Vereadores, quem sabe uma manifestação.
A irritação de Olício fica mais evidente quando ele aponta a causa. ''A gente não pode pensar em chover que a energia já cai. É um absurdo porque este problema acontece apenas na Zona Sul'', reclama.
Ao lado da farmácia, um carro com o farol alto ilumina a Atrio Home Vídeo. Sueli Alves, 51 anos, se diz arrependida com a escolha do bairro para instalar seu negócio. ''Nem precisa chover, deu um ventinho, a luz já apaga.'' Desde novembro, os desligamentos têm tido um peso negativo em seu balancete. ''As primeiras horas da noite são estratégicos para uma locadora. Além de deixar de fazer locações, tenho prejuízos com as não devoluções'', relata. Sueli conta que outra comerciante do bairro, dona de um bazar, antecipa o fechamento da loja por medo de assalto.
Lucivania de Almeida Feliciano já está habituada com os transtornos. Sócia da Woodstock Pizzaria e Restaurante, a comerciante pede perdão aos clientes que fazem o pedido por telefone. ''Hoje, por exemplo, tenho um pedido desde às 18h30, que não ainda não pude entregar. Sem contar que, às vezes, o cliente está na mesa quando cai a luz e é muito constrangedor. Se transforma em um jantar a luz de velas bem sem graça'', lamentava, às 20h30 da quarta-feira. ''Tem também o aspecto da segurança. Hoje, graças a Deus, tinha o policial por aqui. Mas e nos outros dias?''
Na Farmácia Cafezal, os prejuízos também não se limitam à queda no movimento. Uma sobrecarga danificou totalmente um microcomputador. Perda de R$ 1,7 mil.


