Maigue Gueths
De Curitiba
Nesta semana, de 21 a 28 de agosto, acontece em todo País a Semana Nacional do Excepcional. O ponto alto das comemorações será no dia 25, quando Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs) e outras entidades de apoio promovem a ‘‘Caminhada pela Cidadania’’ em quase 2 mil municípios do Brasil, onde estas instituições estão presentes.
Cada município tem autonomia para fazer sua própria programação, mas a idéia é mobilizar deficientes físicos, mentais, visuais e auditivos de todo País para pedir por educação, saúde, assistência e melhorias urbanísticas e arquitetônicas. Em Curitiba está prevista uma ampla programação cultural.
As manifestações chamam a atenção justamente para a situação dos deficientes dos outros 2 mil municípios do País, que não têm nenhum tipo de serviço especializado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 10% da população mundial têm algum tipo de deficiência. Isto significa que existem 16 milhões de deficientes no Brasil e, destes, pelo menos 50% não possuem nenhum tipo de assistência especial.
No Paraná, onde o número de deficientes está em torno de 938 mil, a situação é melhor do que a média nacional, mas também necessita de melhorias. As APAEs e entidades filiadas estão presentes em cerca de 300 municípios e em torno de 90 cidades paranaenses continuam desassistidas. Ainda seguindo a proporção de que 10% da população têm algum tipo de deficiência, na Grande Curitiba existem cerca de 200 mil portadores.
Acessabilidade é a palavra chave para resumir as reivindicações dos portadores de deficiências mentais, físicas, auditivas e visuais que integrarão a caminhada: acesso às instituições especiais em todos os municípios brasileiros, acesso às escolas especiais, aos serviços de saúde, aos prédios públicos e ao mercado de trabalho. ‘‘Nossa intenção é chamar a atenção da população e do poder público sobre a realidade dos portadores de deficiência. Eles têm todo o direito de ir e vir, fazendo valer o seu direito à cidadania como qualquer outra pessoa’’, diz Angelina Mattar Matiskei, procuradora geral das APAEs do Paraná.
Um dos maiores problemas enfrentados pelos portadores de deficiências é a falta de mercado de trabalho. Apesar de existir uma lei que determina que as empresas com mais de 100 empregados empreguem um percentual de deficientes, ela não é cumprida. Hoje, dos cerca de 2 mil filiados à Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, só 50 têm emprego com carteira assinada, junto à Copel.
Para garantir mais empregos, há anos a entidade atua terceirizando serviços de seus associados. Assim, ela mantém pessoal trabalhando na Copel e nos Correios. ‘‘As pessoas têm que tirar da cabeça aquela idéia de que o deficiente é uma pessoa doente. Ele é normal e pode ser produtivo como qualquer outra pessoa’’, diz Nivaldo Menin, presidente da associação.Entidades marcam a Semana Nacional do Excepcional com a luta pelos direito à cidadania para os portadores de deficiências
José SuassunaMauro FrassonJosé SuassunaTRANSPORTE INADEQUADOFalta de adaptação dos ônibus, um dos problemas; ao lado (esqu.), Nivaldo Menin, presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná; à direita, Valmo Piassom, inventor de método de música e, ao violão, o aluno Francisco da Luz Filho

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