Apae paralisa atividades de escola em Londrina
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Lúcio Horta 
A falta de dinheiro para o pagamento dos 62 funcionários da Escola Especial Santa Rita, administrada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Londrina, levou a direção do estabelecimento a tomar uma decisão radical: paralisar as atividades até que a prefeitura justifique o atraso no repasse de verbas. Desde ontem à tarde, as aulas estão canceladas por tempo indeterminado.
Segundo a direção da Santa Rita, há mais de três meses o município deixou de fazer o repasse de R$ 7,6 mil que são enviados pela União ao Fundo Municipal de Assistência Social. Esse dinheiro - somado às verbas estaduais (R$ 18,5 mil), municipais (R$ 4,6 mil) e às contribuições da comunidade (aproximadamente R$ 8 mil) - é essencial para a manutenção da entidade.
Por causa do atraso, os salários de outubro só foram pagos depois que o próprio presidente da Apae de Londrina, José Carlos dos Reis, avalizou a liberação do dinheiro no banco como pessoa física. A conta bancária da entidade acabou ficando negativa em mais de R$ 20 mil (os salários totalizam R$ 33 mil).
Na sexta-feira tive que me humilhar para conseguir o dinheiro. Em 34 anos de existência, essa é a pior crise que a escola já passou, disse José Carlos. Ele lembrou que o prazo dado pelo banco para quitar a dívida termina hoje. Não sei o que vai acontecer. Se não resolver, vai à liquidação. Há dois meses a escola teve que reduzir os salários em 40%.
Mario CesarAtividadesEscola atende 234 portadores de deficiência: interrupção trará prejuízos, afirma diretoraJosé Carlos dos Reis garantiu que, antes de decidir pelo fechamento, a diretoria da escola procurou conversar a Prefeitura, mas sem resposta. A última tentativa ocorreu dia 22 de outubro, quando foi mandado ofício diretamente ao prefeito Antônio Belinati (sem partido). Segundo ele, a única informação dada pela administração municipal era de que o dinheiro não havia sido repassado pela União.
Em Brasília (DF), no entanto, a informação que a escola recebeu foi outra: a verba não pode ser repassada para as prefeituras que não estão em dia com a Certidão Negativa de Débito (CDB). Ou seja, municípios que têm dívidas com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), por exemplo, não têm as verbas liberadas. Ficaram num jogo de empurra-empurra e não deram a solução para o problema, criticou o presidente da Apae. Existe um tiroteio e não se sabe quem é o bandido.
A decisão de paralisar as atividades foi tomada sexta-feira, em reunião de diretoria, e no mesmo dia os pais receberam bilhete informando que as aulas, a partir da segunda-feira, estariam suspensas por tempo indeterminado. No bilhete, a escola também sugeriu que os pais procurem os políticos - prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, secretários - e cobrem deles uma posição, já que a educação é um direito constitucional.
A Escola Especial Santa Rita atende 234 alunos portadores de deficiência mental, oferecendo desde educação artística até fisioterapia. A diretora técnica da Apae, Ana Cássia Jorge, disse que a interrupção das atividades traz sérios prejuízos para o desenvolvimento dos alunos. O trabalho tem que ser contínuo, senão podemos perder o que foi feito, comentou.
A diretora da Apae acrescenta que mais de 90% das famílias são de renda baixíssima. Há inclusive alunos de outras instituições que cuidam do menor abandonado, como a Casa do Caminho. Por isso, ela disse, não é raro a própria escola acabar prestando também assistência social, ajudando a família com remédios e comida - há alunos que chegam à escola com desnutrição. Esta situação, além de tudo, cria clima pesado, gera insegurança entre os professores. E o aluno percebe, disse.


