Há um mês, 30 alunos de Moreira Sales (70 km de Campo Mourão) matriculados na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Goioerê não frequentam a entidade. A suspensão foi determinada pela direção da Apae, que acusa a Prefeitura de Moreira Sales de estar com os repasses da entidade atrasados há seis meses. ‘‘Infelizmente, tivemos que tomar essa atitude’’, diz a presidente da Apae de Goioerê, Maria de Lourdes Barros.
Segundo ela, a entidade ‘‘cansou’’ de procurar a prefeitura para tentar encontrar uma solução. ‘‘Nos disseram que o município só poderia pagar dois salários mínimos por mês’’, diz Lourdes. ‘‘Isso é muito pouco’’. O pagamento normal para Moreira Sales está fixado em quatro salários mínimos - R$ 520,00.
‘‘Não seria justo que continuássemos atendendo uma prefeitura que não paga, enquanto as outras estão pagando regularmente’’, frisa a presidente da Apae de Goioerê. A entidade atende 280 crianças de Goioerê, IV Centenário, Rancho Alegre do Oeste, Janiópolis e Mariluz, além de Moreira Sales. Lourdes chegou a levar o caso ao Ministério Público e espera uma solução.
A Folha não conseguiu falar ontem com o prefeito Carlos Sila de Andrade (PDT). A prefeitura está fechada e, no telefone, a secretária eletrônica avisa que o expediente volta somente na segunda-feira. A reportagem apurou que a prefeitura está incentivando a criação da Apae na cidade. A primeira-dama Iramy Andrade já foi até escolhida para presidir a futura entidade. A Folha obteve a informação de que a prefeitura alega que deve apenas três meses de repasses à Apae de Goioerê. A suspensão no atendimento de 30 alunos é vista como ‘‘política’’.

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