Apae de Londrina completa 50 anos
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quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Londrina completou ontem 50 anos, uma história repleta de dedicação de voluntários, pais e profissionais comprometidos com o desenvolvimento de seus alunos, que possuem deficiências intelectuais e múltiplas. Em sua trajetória, existem casos bem sucedidos de superação como o da recepcionista Vera Lúcia Vick dos Santos, de 32 anos, que é ex-aluna da entidade e que atualmente trabalha na própria Apae. Ela relatou que entrou na instituição com cinco anos e estudou boa parte de sua vida por lá. Vera possui dificuldades de aprendizado que os médicos não conseguiram diagnosticar e ainda hoje possui dificuldades para ler textos velozmente.
"Eu continuo aprendendo muito trabalhando aqui. Hoje atendo telefonemas, repasso recados aos pais dos estudantes, tiro fotocópias, recepciono os visitantes, entre outras atividades", destacou. Atualmente ela é casada, tem um filho de 12 anos e conquistou sua casa própria. "O que mais gostei de fazer na Apae durante esses anos foi aprender a trabalhar. Foi difícil conseguir isso, mas ao mesmo tempo, hoje, ao ver os estudantes, eu me recordo da minha época em que eu estava no lugar deles. Vejo que muitos desses alunos possuem potencial para trabalhar como eu consegui", destacou.
Na sala de aula é possível constatar a dedicação dos professores em desenvolver o potencial de seus alunos que, se estivessem matriculados em salas de aula de ensino regular, enfrentariam dificuldades para acompanhar o desenvolvimento de seus colegas, por possuírem um outro ritmo de aprendizado. A professora Cleidemar Farias Serigati, 51, foi enfática ao dizer que aprende mais com os alunos do que eles aprendem com ela. "Esses alunos possuem respeito com o próximo, demonstram humildade, amam o próximo e não possuem preconceitos que são encontrados em nossa sociedade", destacou, com os olhos cheios de lágrimas.
A dona de casa Eliane Gelamo Rua, 50, é mãe do aluno André Luiz Gelamo Rua, 18, que possui um atraso em seu desenvolvimento que também não foi diagnosticado pelos médicos. Ela explicou que já tentou matricular o filho no ensino regular e a experiência não foi bem sucedida. "Os professores daquela escola não deram perspectivas boas de aprendizagem", relembrou. Mas ao mudar para a Apae, ela percebeu a evolução de André. "Eu percebo a alegria dele ao participar das aulas aqui. Certa vez a professora repassou uma atividade de costura e ele não conseguia fazer, mas ele gostava tanto da professora que se esforçou e conseguiu fazer a atividade", contou. O próprio André relatou que se sente feliz ao participar das aulas. "Eu gosto de frequentar as aulas de educação física, principalmente de brincar com bola", disse.
O bancário Valdecir Lucas Bolognesi, 56, é pai de Michael Lucas Pereira Bolgnesi, 34. "Meu filho, por ter um porte avantajado, não foi aceito por várias instituições e a Apae o acolheu aqui." Michael é aluno da instituição há dez anos e Bolognesi ressalta que não consegue imaginar como seria a sua vida e de seu filho se a instituição não existisse. "Teve um projeto que tramitou na Câmara dos Deputados que queria extinguir as Apaes e encaminhar os alunos para as escolas regulares, mas isso seria um erro", opinou.
A Apae atende hoje 321 alunos, com idades que variam entre 0 e 50 anos, em atividades educacionais e conta com 113 funcionários que atuam nas áreas de apoio, educação e atendimento clínico, das quais 30 pessoas na área clínica.


