Rogerson Silva Andrian nem se lembra mais de quanto tempo passou procurando emprego antes de conquistar uma vaga de mensageiro em uma empresa de assistência de saúde de Londrina. ''Ele é um de nossos melhores funcionários'', garante a secretária Patrícia Rafaela Tosette. ''Trabalho aqui há dois anos e gosto muito'', garante. O emprego foi conquistado graças ao curso profissionalizante feito em uma das mais conhecidas instituições filantrópicas do País que, em Londrina, completa 40 anos no próximo dia 28.
A instituição em questão é a Escola de Educação Especial Santa Rita Apae de Londrina, que atende a mais 250 portadores de deficiências mentais ou múltiplas de toda a cidade. O aniversário da instituição, a oitava a ser registrada na Apae do País, será comemorado na Semana do Excepcional, entre os dias 21 e 28 de agosto, com direito a cinema, teatro, festa, música e culto ecumênico.
Junto com Rogerson, outros 17 alunos da Apae trabalham em empresas de médio porte de Londrina. ''Fazemos questão de realizar trabalhos que favoreçam a inclusão dos nossos alunos no mercado de trabalho'', ressalta a psicóloga Maria Helena Santos Faleiros, diretora da instituição. A inserção, garantida por uma lei federal de 1991, emprega alunos como Sandra Regina numa rede de lanchonetes, José Alexandre Paes em um restaurante e Natel Rodrigues da Silva em um supermercado.
Mas a instituição, pela qual já passaram mais de 1,1 mil excepcionais, não atende somente quem quer trabalhar. A equipe de psicólogas, assistentes sociais, pedagogas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogas cuida da educação de 250 crianças desde o nascimento. Serviços de saúde também são oferecidos pela Apae.
Segundo Maria Helena, a escola se encontra em situação financeira privilegiada, se comparada a outras instituições filantrópicas. ''Trabalhamos com recursos federais, estaduais e municipais, além, é claro, das doações que a comunidade faz através do projeto 'Adote'. São 3,5 mil cadastrados'', conta. Na semana do aniversário da escola, eventos para a arrecadação de fundos serão realizados para a nova ambição da diretoria: a ampliação do prédio, para otimizar o atendimento das turmas de cursos profissionalizantes. ''Já temos o terreno e esperamos ganhar o projeto'', explica a diretora.
Com as crianças, os resultados são observados dentro da própria escola. ''Adoro estudar aqui'', conta Jean Carlos Aparecido Moreira. ''A minha professora me ensina de tudo: a ler, escrever, fazer contas e mexer no computador'', enumerou Danilo Cristiano das Neves, na sala de aulas de informática.
E os esportistas, como o jogador de futebol Rodolfo Florêncio Fagundes e a atleta Simone Martins Correia, também têm espaço. ''Eu estudo, mas gosto mesmo é de jogar bola'', admite Rodolfo. E Simone exibe as medalhas conquistadas durante as últimas Olimpíadas Estaduais de Alunos excepcionais. ''Ganhei correndo os 400m, 800m, salto em altura e corrida com barreiras'', contou, orgulhosa.

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