Apae-Curitiba tentará uma assembléia para conciliação
Luciana Pombo
De Curitiba
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) deverá promover, no prazo de um mês, uma nova assembléia extraordinária para a eleição da diretoria da entidade e reavaliação da decisão tomada no último fim de semana de desfiliação da instituição da Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Fenapes). As divergências entre as duas entidades começaram após as primeiras denúncias de irregularidades administrativas que teriam sido cometidas pela presidente afastada, vereadora Jane Rodrigues (PPB).
A Apae de Curitiba tem 240 funcionários e cuida de 750 portadores de deficiência. As supostas irregularidades estão sendo investigadas pelo Ministério Público, com base em depoimentos e documentos entregues por seis ex-funcionárias. De acordo com as denúncias, entre junho de 1998 e agosto deste ano, houve superfaturamento de obras, desvio de alimentos e materiais de construção, apropriação indébita de parte do salário pago aos deficientes e uso de notas frias para a apresentação de contas da entidade.
Mesmo diante das denúncias oferecidas, a atual diretoria que ficou afastada por um mês durante a intervenção e análise das contas da entidade permanece controlando a instituição. Jane Rodrigues pediu o afastamento da presidência, mas o vice-presidente, deputado estadual Cesar Seleme (PPB), assumiu o cargo.
Seleme concorda com uma eleição para a diretoria da entidade. A Apae está ficando desgastada com essas denúncias. Vamos fazer uma chapa de consenso e fazer eleições para a escolha de uma nova diretoria, disse ele, após a reunião com o Ministério Público.
Seleme acredita que muitos interesses políticos estejam a frente dessa discussão. Tem interesses políticos na jogada, mas vamos provar a inocência da atual diretoria da Apae na Justiça, argumentou ele. O presidente da Fenapes, deputado federal Flávio Arns (PSDB), disse que tem a responsabilidade de zelar pela ética e pela credibilidade das 2 mil Apaes espalhadas pelo País.
O procurador Geral da Justiça, Gilberto Giacóia, disse que a Apae tem dez dias para fazer um levantamento de todos os sócios da entidade e a convocação para as eleições internas. Acho que houve bom senso entre as partes. Vamos intermediar essa relação e fiscalizar que todas as regras estatutárias sejam cumpridas, assegurando uma transição tranquila, garantiu.





