Apae constrói 12 salas com ajuda da comunidade
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quarta-feira, 03 de outubro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Rolândia - Uma família doou R$ 5 todo mês, outra R$ 10 esporadicamente, outra contribuiu com R$ 50 mensais. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Rolândia (Norte) juntou essas pequenas contribuições com o dinheiro arrecadado nas oficinas, com a venda de produtos na loja própria e com promoções realizadas regularmente todos os anos e conseguiu ampliar e reformar a sua estrutura. Ao todo, foram construídas mais 12 salas, totalizando 300 metros quadrados. Para tanto, a entidade desembolsou, sozinha, R$ 280 mil. ''A maior parte desse dinheiro veio de doações da comunidade. Estamos lutando por isso há mais de dez anos'', afirma Neiva Luzia Puzzi Moser, presidente da entidade.
Neiva explica que a verba proveniente da Secretaria de Estado da Educação é toda destinada ao pagamento dos professores, e os atendimentos técnicos e clínicos são pagos por meio de convênio com o SUS. A alimentação vem de um convênio com o município, e o que falta a Apae completa. ''Nós só conseguimos planejar nossos recursos próprios porque o poder público faz a parte dele. Se não, teríamos que tirar da instituição para cobrir essas despesas. Isso facilitou para corrermos atrás do nosso sonho'', reconhece.
Para conseguir uma participação tão expressiva dos moradores de Rolândia, a entidade contou com uma equipe de profissionais de telemarketing e principalmente a credibilidade conquistada ao longo de seus 36 anos. ''Seriedade e transparência na administração é fundamental. Mostrar à população onde o dinheiro dela está sendo investido é inclusive um incentivo para continuar colaborando. É uma prestação de contas para a sociedade'', observa Neiva, acrescentando que ela e os outros 19 diretores voluntários acompanham de perto e diariamente a entidade, para melhor se inteirar de suas necessidades.
Outras duas equipes de voluntárias atuam na entidade, ajudando a confeccionar trabalhos manuais para serem vendidos pela própria loja da Apae. Além disso, atividades como corte de cabelo, recreação, karatê, fanfarra e xadrez também são de responsabilidade de profissionais voluntários.
Segundo a presidente, as quatro grandes promoções anuais da Apae também ajudam a criar uma aproximação maior com a comunidade, o que contribui para que as famílias façam as suas doações. ''Ama-se mais o que se conhece melhor'', explica Neiva, acrescentando que a entidade ainda tem vários desafios pela frente. ''Queremos criar uma sala de ginástica, com aparelhos de academia, para combater a obesidade'', planeja.
A Apae de Rolândia atende 323 pessoas com deficiência mental com idades entre zero e 60 anos, e tem uma lista de espera de cerca de 50 crianças. ''Agora, que temos quase 6 mil metros quadrados de área construída, nossa intenção é ampliar o número de vagas, mas, para isso, dependemos da contratação de mais profissionais por parte do governo estadual'', aponta Neiva.
A instituição dispõe de profissionais de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, odontologia, neurologia, psiquiatria, pediatria e clínica geral. A escola oferece ainda atividades esportivas, de dança, teatro e oficinas profissionalizantes de marcenaria, artesanato e culinária. ''Nossos alunos também são encaminhados para o mercado de trabalho. Hoje temos cerca de 20 alunos empregados'', acrescenta.
Dentre tantas entidades assistenciais que mal conseguem pagar as próprias contas, a receita da Apae de Rolândia para conseguir se manter e ainda crescer parece simples: trabalhar em conjunto com o poder público e a comunidade, estabelecendo parcerias, e com transparência. Firmar esse tripé, porém, é que é o maior desafio.


