Apae capacita alunos para o trabalho
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Lucilia Okamura 
Uma das formas de integrar a pessoa portadora de deficiência à sociedade é através do trabalho. Muitas entidades do setor preparam o deficiente para ser inserido no mercado de trabalho, mas esbarram, basicamente, em dois problemas: a falta de conscientização da sociedade quanto ao potencial da pessoa portadora de deficiência e o mercado competitivo.
Para uma pessoa normal com curso superior já é difícil conseguir emprego, para o portador de deficiência mental as dificuldades são maiores, observa a coordenadora do setor profissionalizante da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Londrina (Apae), a pedagoga Maria Helena Rubim.
Na Apae, o setor profissionalizante realiza um trabalho efetivo de inserção dos portadores de deficiência mental no mercado de trabalho desde o início da década de 90. Atualmente, o setor profissionalizante conta com 85 deficientes mentais acima dos 14 anos. É feita uma avaliação para separar os deficientes mentais severos dos moderados e leves.
Com o primeiro grupo é feito um trabalho mais simples, para que o deficiente seja independente. Com os deficientes mentais moderamos promovemos um trabalho para que eles sejam inseridos no mercado ou mesmo que façam o trabalho protegido - dentro da escola, explica. Ela calcula que do total, cerca de 15 podem ser inseridos no mercado de trabalho após uma preparação.
Maria Helena informa que além de ministrar cursos, como de jardinagem e auxiliar de garçom, o trabalho do setor profissionalizante consiste em preparar o aluno emocionalmente. Ensinamos como lidar com ordens, frustração, a ter responsabilidade e pontualidade, observa.
Na opinião de Maria Helena, as empresas da cidade podem contribuir com portadores de deficiência não só oferecendo empregos. Os estágios também têm um valor muito grande, afirma. Ela conta que a Apae oferece alunos para fazerem estágio de três meses. Fazemos o acompanhamento e o empresário é isento de pagamento. Depois, se ele se interessar, pode dar emprego, ressalta.
A partir do momento que os empresários conhecem a potencialidade de deficiente mental, eles passam a gostar do trabalho dele, segundo a pedagoga. Eles são muito detalhistas e por não conversarem muito, se concentram mais naquilo que fazem, relata. Atualmente, há cinco ex-alunos da Apae no mercado de trabalho e dois fazendo estágios em empresas.
Para os deficientes mentais, o trabalho traz uma auto-estima muito grande, segundo Maria Helena. Ter a carteira de trabalho, receber seu holerite são motivos de orgulho. Eles se sentem valorizados e autônomos por estarem convivendo com pessoas normais, ressalta. A pedagoga informa que muitos ajudam a família com o salário que recebem.


