Aos trancos e barrancos, Brasil vislumbra Atenas
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domingo, 25 de janeiro de 2004
Rodrigo Bueno<Br>Agência Folha 
Viña del Mar - Maratona de jogos, ausência de férias, arbitragem caseira, críticas, contusões, suspensões, falta de pontaria, derrota para a Argentina, sufoco contra o Chile... Desde o começo a caminhada brasileira no Pré-Olímpico foi sofrida. Tudo indica que o final, porém, será feliz, pois basta um empate hoje, às 18 horas, contra o Paraguai para o País conseguir a segunda vaga sul-americana para os Jogos de Atenas a primeira foi conquistada sexta-feira pela Argentina.
O time do técnico Ricardo Gomes penava já com uma preparação cortada pelos festejos de final de ano e pela ausência de vários jogadores que eram considerados importantes, como Kaká e Júlio Baptista, não liberados por seus clubes, e Adriano, contundido.
A trajetória nacional na competição começou com bons resultados e futebol pouco convincente. Ao não conseguir ficar em primeiro lugar de sua chave na primeira fase, a seleção teve que conhecer uma repescagem de alto risco e ouvir críticas até do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Na estréia do quadrangular final, o futebol foi um pouco melhor, mas a derrota para a Argentina, o maior rival brasileiro, deixou a equipe na lanterninha. Contra o anfitrião Chile, a situação chegou a ficar dramática, com Maicon sendo expulso e o adversário pressionando ao extremo, tendo pênalti a seu favor defendido pelo goleiro Gomes.
Com uma dose de heroísmo, o 3 a 1 de sexta-feira deixou o time mais aliviado. O bom time da casa foi eliminado, e até uma inesperada vantagem do empate contra o Paraguai foi conquistada. Não posso dizer que não estava nervoso na partida contra o Chile. Ficar calmo em um jogo assim é algo irresponsável. Na medida que as coisas foram acontecendo, veio a euforia, o que é natural, disse Ricardo Gomes.
Os jogadores e a comissão técnica deixaram o estádio Sausalito, de boa lembrança para o País devido à Copa de 1962, exultantes. Não jogamos bem, mas vencemos. Contra a Argentina, tínhamos jogado bem e a bola não tinha entrado. Agora, entrou, disse Daniel Carvalho.
A campanha foi repleta de altos e baixos. Maicon fez o gol do torneio, passando por vários adversários paraguaios na primeira fase. Hoje, porém, não jogará, pois foi expulso tolamente contra os chilenos ao agredir um adversário quase no meio-campo.
O goleiro Gomes fez milagres contra o Chile, defendendo até um pênalti, mas falhou feio no gol sofrido. No pênalti, esperei ele definir. Venho treinando isso. Já no gol do Chile, a responsabilidade é toda minha. Falei para abrirem (não quis barreira), mas o cara (Mark González) bateu bem.
Brasil
Gomes; Elano, Edu Dracena, Alex e Wendell; Paulo Almeida, Dudu Cearense, Diego e Daniel Carvalho; Robinho e Marcel. Técnico: Ricardo Gomes
Paraguai
Diego Barreto; Martínez, Devaca, Manzur e Torres; Giménez, Villalba, Figueredo e Díaz; Bareiro e González. Técnico: Carlos Jara
Árbitro: Não divulgado
Estádio: Sausalito
Horário: 18 horas


