Diz o ditado que de grão em grão a galinha enche o bico. Mas, para um grupo de moradores voluntários do Distrito de Lerroville, Zona Sul de Londrina, ''de saco em saco de cimento se vai longe''. E, eles foram mesmo - construíram uma casa para dona Judith, uma senhora de 84 anos, que, pela primeira vez na vida, terá um teto confortável para morar. Foram três meses de construção, e muito empenho de vizinhos, amigos e conhecidos, mas, enfim, a ex-bóia-fria Judith Santiago Paes da Costa ganhou um lar.
Acyr Plath, João Batista (mais conhecido por João Triada), Manoel Balza, Paulo Massoni, Edvaldo Pereira da Silva, Pedro Alves Batista, Lázaro Guido Xavier e José Alves Domingues fazem parte do grupo que se comoveu com a situação precária com que dona Judith vivia - um barraco de madeira, com tábuas já podres, e tão frágil que ''dava até medo quando chovia ou ventava muito''.
Os voluntários também são pessoas simples, que vivem do salário ou da aposentadoria, e que foram atrás de doações de materiais de construção. Eles mesmos doaram o próprio tempo para assentar tijolos e erguer paredes. ''Nossa contribuição era aos sábados e feriados, nas nossas horas vagas'', contou o professor Acyr Plath. ''Eu fui o engenheiro, o mestre de obras, o trabalhador. A gente foi calculando para conseguir fazer o melhor com o que tinha'', disse o pedreiro João Batista.
O barraco de madeira, que será desmontado, ainda esconde a casa nova de quatro cômodos, construída na parte de trás do terreno - mas não a alegria, tanto de quem recebeu, quanto de quem a fez. Pintada de verde, a casa parece um símbolo de esperança, de que coisas novas e boas estão nascendo no distrito. ''Tem hora que eu fico chorando de alegria. Antes eu estava naquele barraco, agora estou no céu, estou na glória de Deus'', confessou dona Judith. ''A gente fica com lágrimas nos olhos de orgulho, de ver que as pessoas ainda se sensibilizam para doar'', disse Plath.
Segundo o professor, até os alunos da escola se mobilizaram e fizeram uma rifa para arrecadar dinheiro. ''Teve muita gente que colaborou, e até pintura a gente conseguiu, por isso não podemos deixar de agradecer quem ajudou'', disse. A casa nova de dona Judith, de janelas azuis e piso ''branquinho'', agora precisa de móveis novos. ''Com toda essa idade, nunca tive uma geladeira ou uma TV a cores'', pediu a viúva, que mora com o neto Reginaldo da Costa Batista, de 20 anos.
Apesar da sensação de dever cumprido, esses homens não pararam - antes mesmo de finalizar a construção da casa de dona Judith, os voluntários já se mobilizaram para outras empreitadas. Estão construindo uma casa nova para dona Lurdes Fermino da Silva, casada com um bóia-fria, e mãe de dois filhos, que moram em um barraco de madeira ''quase caindo''. E já têm outros planos. ''Nosso sonho é fazer mais umas cinco casas, mas aqui tem pelo menos umas 15 nessa mesma situação, que precisam de novas construções. Vamos tentar entregar essa (da dona Lurdes) até o Natal, vai ser o presente deles'', disse o funcionário público e pedreiro Paulo Massoni.
Serviço - Quem tiver interesse em doar materiais para a construção de outras casas, ou quiser doar móveis para dona Judith, pode entrar em contato pelos telefones (43) 3398-2079 ou 9941-6584 (com Acyr).

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