Aos 82 anos, fundador ainda faz fotos
Fundador do Foto Clube de Londrina, o mecânico Manoel Lopes Damazzio só abraçou a fotografia como profissão depois de aposentado, na década de 1950. Hoje, aos 82 anos, ainda participa, todo sábado, das reuniões do clube, no Lago Igapó. ''Comecei por hobby e fui gostando tanto que trabalhei como fotógrafo por 15 anos'', conta.
De segunda a sexta, ele fotografava cenas rurais para o jornal agrícola da Indústria Cacique de Café Solúvel e aos fins de semana se dedicava aos temas dos concursos promovidos no fotoclube. ''Não gosto de gastar filme à toa'', brinca.
A primeira máquina que comprou, em meados de 1950, era de origem alemã. ''Só depois troquei pelas japonesas, mais qualificadas'', diz. Para Damazzio, a tecnologia digital já domina a fotografia atual e irá substituir o negativo num futuro muito próximo. ''Mas ainda prefiro usar a boa e velha câmera analógica para as fotos de família'', afirma.
Hoje, ele já não revela mais suas fotos no laboratório do Foto Clube, que foi desativado. ''Não tem mais papel fotográfico branco e preto para vender'', constata o fotógrafo, confessando não gostar tanto de imagens coloridas.
Foram tantos filmes e fotos ao longo de 40 anos, que Damazzio já perdeu as contas das obras-primas que produziu. ''Estão todas no acervo do fotoclube'', assinala.
Entre elas, a foto de uma menina carente caminhando numa estrada de ferro, com um saco nas costas. ''Ela olhou para mim e eu a capturei em foto'', recorda o fotógrafo, ao falar sobre a peça que ganhou o segundo lugar em uma Bienal Nacional realizada em São Paulo e também no Salão Internacional de Jaú (SP). ''Agora em que ano foi, não me lembro'', responde. (M.G.)





