O envelhecimento é um fenômeno que atinge as pessoas de maneira distinta, dependendo das condições sociais, personalidade, formação cultural e familiar. Para muitos, a idade avançada significa isolamento, perda de auto-estima e paralisação das atividades cotidianas de trabalho e lazer social. Para alguns, a velhice é apenas mais um período da vida que pode ser enfrentado com dignidade e sem interrupções ou ruptura de sonhos e projetos pessoais.
Com 79 anos, o médico Walter Pecoit não se considera velho. Pecoit foi vereador, prefeito de Francisco Beltrão, deputado cassado pelo golpe militar de 64 e secretário do Estado. Sua personalidade empreendedora não permite que ele viva do passado. Continua acordando cedo, cumprindo expediente diário na Regional de Saúde que dirige e na clínica onde atende seus pacientes fiéis. ‘‘Não tenho nenhuma restrição, continuo fazendo tudo como se tivesse 20 anos’’, afirma.
Pecoit condena o que chama de cultura brasileira da aposentadoria. ‘‘Com a aposentadoria, a pessoa assume a condição de velho, e a partir daí, passa a envelhecer de verdade’’, acredita o médico, que nas horas de folga se dedica a criar pássaros, cultivar flores e ‘‘alimentar lagartos selvagens’’ no sítio onde mora.
Para a empresária curitibana Lurdes Ackel, de 77 anos, a melhor forma de manter a juventude é evitar o isolamento. Ela é contra a tendência de segregação das pessoas em grupos formados exclusimente por idosos. Não acha que eles precisem da tutela de serviços exclusivos e segmentados. ‘‘Alienar o idoso, separá-lo do mundo é uma crueldade, pois não há nada mais revigorante do que estar entre os jovens’’, diz, comemorando hoje 28 anos à frente de uma loja de moda infantil.
Uma vida sadia baseada no esporte é a receita de longevidade do professor Heitor Medina, carioca radicado na capital paranaense desde os anos 40, que hoje tem 86 anos e chegou a representar o Brasil nas Olimpíadas de Los Angeles de 1932, como arremessador de dardo. Depois de 55 anos lecionando na Universidade de São Paulo, Medina foi obrigado pelo governo a se aposentar em 1980. ‘‘Fiquei revoltado, mas ainda bem que não puderam me obrigar a parar de trabalhar’’, conta ele, que continua cumprindo expediente como professor de farmacologia da Universidade Federal do Paraná, está escrevendo um livro e participa de concursos científicos no exterior. ‘‘Enquanto estiver vivo pretendo continuar na ativa’’, garante Medina.

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