Aos 60 anos, colégio estadual pede reforma
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Célia Baroni 
Mário CésarMás condiçõesAlunos do colégio estadual Hugo Simas brincam no pátio com carteira escolar já sem condições de usoO colégio estadual Hugo Simas faz 60 anos em outubro. O prédio já passou por várias reformas para goteiras, pisos que cedem, paredes trincadas. Mas a estrutura física, com projeto inadequado para o atual número de alunos, mostra claramente que pequenas reformas já não resolvem mais a situação. As paredes estão rachadas, a pintura totalmente gasta e nem o esforço das faxineiras consegue deixar banheiros com uma aparência higiênica.
A parte elétrica do colégio também está em situação precária: lâmpadas queimam constantemente e há risco de curto-circuito. No início do ano, a Associação de Pais e Mestres (APM) teve que substituir quase todas as lâmpadas do colégio para que as aulas pudessem começar. O presidente da APM, Genésio Simioni, explica que os recursos do Fundo Rotativo das Escolas são enviados a cada dois meses e cobrem apenas os gastos como a merenda escolar, material de limpeza e de escritório.
A rede hidráulica do colégio é outro problema. Antiga, a tubulação é estreita e não tem pressão suficiente para encher as caixas nos horários de maior consumo. Sempre por volta das 10h30 da manhã falta água no colégio. Depois de muita reclamação, o Governo garantiu que na semana que vem iniciará o trabalho de construção de uma nova caixa de água. Mas chega uma hora em que só consertar não resolve. O prédio precisa de uma reestruturação completa, diz Genésio Simioni. Ele acrescenta que o projeto arquitetônico da escola é antigo e algumas partes da sua estrutura precisam ser modificadas, porque se tornaram perigosas para os alunos.
Simioni explica que, na medida do possível, a APM tem arcado com a melhoria da estrutura do colégio e cita o revestimento e as mesas novas do refeitório. Portas que estão podres devido ao tempo também foram sendo substituídas pela associação. Não fosse a APM, pelo menos 100 alunos estariam hoje sem aula por falta de carteiras. No começo do ano faltavam 120 carteiras para atender os alunos. Como a APM havia acabado de comprar carteiras universitárias para colocar no salão nobre do colégio, elas foram direto para as salas de aula.
A APM afirma que o colégio recebeu apenas 20 carteiras do Governo do Estado, e mesmo assim porque haviam sobrado de outro colégio. As carteiras universitárias, diz Genésio, são inadequadas para os estudantes que precisam de espaço para estojo, livros e cadernos,mas são melhores do que nada. A diretora do colégio, Jeanete Gomes Albuquerque, complementa que a situação da estrutura física do colégio dificulta até mesmo o trabalho de conscientização dos alunos. Como ensinar a eles que devem cuidar bem do colégio, se mesmo limpas e em ordem, as instalações estão velhas e visualmente feias? Eles não têm estímulo para valorizar o colégio.
A APM não quer criticar a política do Governo. Pretendemos apenas mostrar a situação de precariedade em que os alunos são obrigados a estudar, diz a diretora. Também queremos sensibilizar os políticos para que tomem uma atitude e resolvam a situação.
O colégio Hugo Simas atende hoje 2.200 alunos. É um dos poucos da cidade que oferecem vagas em salas especiais para alunos com deficiência visual, auditiva e mental.


