Mário CésarMás condiçõesAlunos do colégio estadual Hugo Simas brincam no pátio com carteira escolar já sem condições de usoO colégio estadual Hugo Simas faz 60 anos em outubro. O prédio já passou por várias reformas para goteiras, pisos que cedem, paredes trincadas. Mas a estrutura física, com projeto inadequado para o atual número de alunos, mostra claramente que pequenas reformas já não resolvem mais a situação. As paredes estão rachadas, a pintura totalmente gasta e nem o esforço das faxineiras consegue deixar banheiros com uma aparência higiênica.
A parte elétrica do colégio também está em situação precária: lâmpadas queimam constantemente e há risco de curto-circuito. No início do ano, a Associação de Pais e Mestres (APM) teve que substituir quase todas as lâmpadas do colégio para que as aulas pudessem começar. O presidente da APM, Genésio Simioni, explica que os recursos do Fundo Rotativo das Escolas são enviados a cada dois meses e cobrem apenas os gastos como a merenda escolar, material de limpeza e de escritório.
A rede hidráulica do colégio é outro problema. Antiga, a tubulação é estreita e não tem pressão suficiente para encher as caixas nos horários de maior consumo. Sempre por volta das 10h30 da manhã falta água no colégio. ‘‘Depois de muita reclamação, o Governo garantiu que na semana que vem iniciará o trabalho de construção de uma nova caixa de água. Mas chega uma hora em que só consertar não resolve. O prédio precisa de uma reestruturação completa’’, diz Genésio Simioni. Ele acrescenta que o projeto arquitetônico da escola é antigo e algumas partes da sua estrutura precisam ser modificadas, porque se tornaram perigosas para os alunos.
Simioni explica que, na medida do possível, a APM tem arcado com a melhoria da estrutura do colégio e cita o revestimento e as mesas novas do refeitório. Portas que estão podres devido ao tempo também foram sendo substituídas pela associação. ‘‘Não fosse a APM, pelo menos 100 alunos estariam hoje sem aula por falta de carteiras.’’ No começo do ano faltavam 120 carteiras para atender os alunos. Como a APM havia acabado de comprar carteiras universitárias para colocar no salão nobre do colégio, elas foram direto para as salas de aula.
A APM afirma que o colégio recebeu apenas 20 carteiras do Governo do Estado, e mesmo assim porque haviam sobrado de outro colégio. As carteiras universitárias, diz Genésio, são inadequadas para os estudantes que precisam de espaço para estojo, livros e cadernos,‘‘mas são melhores do que nada’’. A diretora do colégio, Jeanete Gomes Albuquerque, complementa que a situação da estrutura física do colégio dificulta até mesmo o trabalho de conscientização dos alunos. ‘‘Como ensinar a eles que devem cuidar bem do colégio, se mesmo limpas e em ordem, as instalações estão velhas e visualmente feias? Eles não têm estímulo para valorizar o colégio.’’
‘‘A APM não quer criticar a política do Governo. Pretendemos apenas mostrar a situação de precariedade em que os alunos são obrigados a estudar’’, diz a diretora. ‘‘Também queremos sensibilizar os políticos para que tomem uma atitude e resolvam a situação.’’
O colégio Hugo Simas atende hoje 2.200 alunos. É um dos poucos da cidade que oferecem vagas em salas especiais para alunos com deficiência visual, auditiva e mental.

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