Aos 316 anos, Curitiba tem uma nova cara
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Se Curitiba ganhasse um novo slogan no seu aniversário de 316 anos, ele não seria ligado às vocações ecológica e social. Especialistas ouvidos pela FOLHA avaliaram qual é a nova ''cara'' da capital paranaense. Todos os títulos estariam ligados a setores econômicos.
Para o diretor dos cursos de mestrado e doutorado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Fábio Duarte, Curitiba é a cidade dos negócios. ''Na década de 80 a Capital atraiu as grandes empresas com seus executivos e pessoal de fora. Nos últimos anos, vemos a formação acadêmica cada vez mais forte. Estamos nos transformando em um pólo de negócios'', avalia.
Juraci Barbosa Sobrinho, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A, empresa de economia mista ligada à prefeitura e federações de indústria e comércio, acredita que a Capital está se tornando aos poucos uma ''tecnópolis''. ''Curitiba está passando pelo seu terceiro ciclo de desenvolvimento e cada vez mais podemos ver uma caracterização como pólo de tecnologia. As empresas encontram aqui um ambiente favorável com boa mobilidade, custo de vida compatível, mão-de-obra especializada, conectividade plena e incentivos fiscais.'' Segundo ele, nas 55 instituições de ensino superior de Curitiba, 43% dos cursos ofertados estão na área de tecnologia.
Na opinião de Rosa Moura, pesquisadora do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a verdadeira vocação curitibana é ser uma cidade que oferece serviços avançados. ''Esses serviços vão desde a medicina, ensino superior e consultorias altamente especializados às grandes redes de supermercados, hotéis e restaurantes sofisticados'', aponta. Segundo a pesquisadora, a cidade está se qualificando para a rede mundial. ''Ela pode hoje receber executivos internacionais'', comenta.
Marketing
Capital ecológica, capital social, modelo de sistema de transporte coletivo. Foram alguns dos títulos que Curitiba já emplacou. Mas, será que os slogans ainda refletem a realidade? Para Fábio Duarte, esses títulos foram construídos, mas não foram mantidos. ''Para ser considerada a capital ecológica, foi feito um grande trabalho de marketing. Alguns programas e a exuberância dos nossos parques colaboraram para fixação da ideia.'' Com relação ao sistema de transporte, Duarte acredita que Curitiba ficou para trás se comparada com outras grandes cidades do mundo.


