Aos 30 anos, Casa virou comunidade
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Sob um clima de indefinição, o prédio continua lá, com as portas decoradas por adesivos de Che Guevara e embalado pela batida seca do rap que emana de um rádio. A Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (Ceuel), localizada na Avenida Juscelino Kubitscheck (Área Central), completa hoje 30 anos de inauguração num momento em que seu futuro é discutido pela comunidade universitária.
A reitoria da UEL informou que a construção, cheia de problemas estruturais, foi condenada depois de uma perícia técnica realizada no início do ano. De acordo com o laudo da perícia, não adianta pensar em reformar o imóvel. Com isso, os 70 alunos que residem atualmente no local terão que ser transferidos para um prédio locado, ao mesmo tempo em que será definida a construção de uma nova casa. Os detalhes deste processo ainda estão sendo traçados pela administração da universidade, que já tem um terreno em vista.
Danilo Ramos Meira, estudante de História da UEL e presidente da organização não-governamental (ong) que administra a Ceuel, relatou que, apesar do clima de incerteza, os alunos acreditam que a mudança será feita sem maiores problemas. ''Tudo que a reitoria prometeu até agora está sendo cumprido. Todas as garantias nos foram dadas'', apontou Meira.
Dos alunos que estão atualmente na Ceuel, 56 são moradores efetivos e 14 são hóspedes. Estes últimos estão no primeiro ano da graduação e estão na condição de hóspedes porque este ano a UEL não fez seleção de novos moradores, devido ao fato do prédio estar condenado.
Dentre os moradores, dois já não são graduandos da UEL: uma aluna do curso de Física está na pós-graduação e um estudante de História apenas continua na casa porque está devendo horas de atividades extra-curriculares no curso.
''Há uns quatro anos, a situação era pior, a casa tinha uns sete moradores que já eram formados, o que é irregular. Eles começaram a sair por conta própria porque começaram as discussões sobre o futuro da casa, e eles temeram as indefinições'', explicou Meira. Dos atuais residentes da Ceuel, a grande maioria é do interior de São Paulo. A UEL paga as contas de luz e água do prédio e os estudantes ficam responsáveis por serviços de manutenção, como a limpeza.
Meira comentou que a procura sempre foi grande para a seleção da Ceuel, e o número de interessados na fila deve aumentar devido à recente aprovação do sistema de cotas na universidade. ''Mais pessoas com dificuldades socio-econômicas passarão a estudar na UEL, o que aumentará as demandas de assistência a ser dada pela administração da universidade. Inclusive moradia'', argumentou o estudante.
André Lima, aluno do 1º ano de Estilismo em Moda da UEL, reside na casa como hóspede. A família do estudante é de Sorocaba (interior de São Paulo) e não tem condições de sustentá-lo em Londrina. ''Na primeira vez em que passei no vestibular para Moda, em 2001, não sabia que existia a casa e não pude estudar porque não tinha dinheiro para me manter. Aqui você vê a UEL de outra maneira. Você convive mais com pessoas de outros cursos. É menos superficial do que o dia-a-dia no campus'', disse Lima.


