Curitiba - Quando chegou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Warley quase desistiu de fazer o título. A fila era grande. Mas, para não perder a viagem (pois de sua casa até lá teve que pegar dois ônibus) decidiu esperar.
O estudante da oitava série do ensino fundamental completou 16 anos na semana passada. Ele nem sabe ao certo a data da próxima eleição, mas decidiu que deve contribuir com o processo. Pelo menos, foi o que a professora disse. Dona Lourdes afirmou que o voto é ‘‘nosso compromisso maior com a democracia’’. Algo tão importante, ele não deveria esperar para fazer.
Enquanto aguardava na fila, ouvia os comentários de outras pessoas que tinham vindo transferir o título. Todos estavam desanimados e diziam que só votam porque são obrigados. ‘‘Não adianta nada, o governo sempre esquece da gente’’, dizia com voz cansada uma mulher que usava uma bengala. Antes que a desilusão tomasse conta de seu espírito, Warley desistiu de prestar atenção. Não queria que algo atrapalhasse a sua alegria por votar pela primeira vez, exercer a sua cidadania.
Foi quando um homem, vestindo um macacão sujo de graxa começou a conversar com ele. O mecânico contou que precisava estar com o título em dia para fazer um concurso público. ‘‘Para falar a verdade’’, disse em confidência, ‘‘eu nem lembro em quem votei nas últimas eleições’’.
A dissertação interminável do mecânico sobre política, corrupção e desemprego começou a desanimar Warley. O estudante tentou lembrar de algum político no qual tivesse vontade de votar. Sem sucesso. Pouco conhecia do assunto. Fez um esforço de memória para lembrar de alguém, mas só a face de Getúlio Vargas, em foto do livro de História, aparecia em sua mente.
Uma pergunta do mecânico o tirou de seus pensamentos. ‘‘Você sabe quem é candidato a presidente?’’. Warley ficou atônito, pois nem sabia que cargos seriam disputados na próxima eleição. Aliás, as próprias funções de cada cargo eram um mistério para ele.
Quando faltava apenas uma pessoa à sua frente, Warley surpreendeu a todos que aguardavam atendimento. Pegou sua pasta, levantou e foi embora, sem olhar para trás. Decidiu, na última hora, que só votaria quando fizesse 18 anos. Warley decidiu que até lá poderá se informar mais e votar consciente.

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