Em entrevista à Folha, Paulo Sérgio da Silva, 21 anos, contou que iniciou na vida de crimes aos 16 anos. ''Já comecei fazendo assalto armado com revólver. Tive uns amigos que me chamaram e aí eu entrei de bobo nessa.'' Assim que começou a praticar assaltos, também passou a usar crack. ''Minha cabeça ficou descontrolada.''
Até essa idade, ele afirmou que tinha trabalhado ''na roça'', nas cidades de Bela Vista do Paraíso, Primeiro de Maio e Cambé, na região norte do Estado. Ele contou que depois se mudou com a mãe, o pai e mais seis irmãos para o Assentamento João Turquino (zona oeste de Londrina). ''Meu pai é alcóolatra e não mora mais em casa porque minha mãe o expulsou.'' Ele próprio, após sair de uma clínica para dependentes há cerca de 15 dias, também não tinha mais moradia e vivia perambulando pelas ruas.
Paulo Silva assegurou que toma calmantes e antidepressivos. ''Não posso voltar para minha família porque estou sendo ameaçado por causa dos crimes que eu cometi. Eu queria ficar preso num lugar que me oferecesse segurança ou então num hospital psiquiátrico. Não quero mais essa vida e preciso de tratamento''. O rapaz tem medo de ir para a carceragem dos distritos porque ''está cheio de conhecidos''.
Ele afirmou que ''acha'' que foi ele que matou Israel Gervásio de Morais, em 1998, mas não se lembra dos detalhes do crime porque estava sob efeito da droga. Antes de completar a maioridade, passou três vezes pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator, e já maior, teve passagens pelas cadeias de Cambé, Apucarana e Londrina.

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