Ao trabalho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de setembro de 1997
César AugustoPEQUENO GRANDE HOMEM 
A paralisia infantil pode ter limitado vários movimentos de Adilson Alves dos Santos, mas não ao ponto de impedir que a vida fizesse dele um pequeno grande homem. A cena é comum: quem passa pela rua Rio de Janeiro, bem ali ao lado do cemitério São Pedro, centro de Londrina, se surpreende com uma cadeira de rodas vazia e, depois, ao correr com os olhos, se depara com o ocupante dela pegando no pesado, literalmente. Peão da construção civil, 28 anos, Adilson ganha R$ 15,00 por dia. O dinheiro vai para ajudar no sustento da casa, diz ele. Adilson e a mãe dele, Ercilia, uma aposentada que, como tantos outros, recebe apenas um salário mínimo, moram de aluguel (R$ 120,00) na Vila Casoni. A renda familiar é completada com a venda de tapetes (R$ 4,00 o par) que a senhora Ercilia confecciona. Quando não está trabalhando na demolição de casas ou prédios, Adilson ganha uns trocos na empresa do cunhado, Sebastião Ferreira, auxiliando nos serviços de escritório.


