Os anos se passaram, mas as lembranças dos bons tempos de escola ainda permanecem vivas na memória dos mais de cem alunos da Seiryo Gakuen de Londrina. Prova disso é uma belíssima homenagem dedicada ao professor e fundador da instituição, Rokuro Sugimoto, de 86 anos, ontem pela manhã, na Chácara Canaã.
Durante todo o encontro, o clima não poderia ser mais emocionante, principalmente para Sugimoto, que ao lado da esposa Fumiko, recebia com carinho e lágrimas, os cumprimentos dos alunos, dos quais ele ensinou e projetou o caminho da vida.
Um bom exemplo é o ex-aluno Roberto Yoshiuti Hukai. Aos 68 anos, ele que é físico nuclear renomado, PHD em energia pelo Instituto de Tecnologia em Massachusets e o responsável pelo projeto do gasoduto Bolívia-Brasil, entre outros inúmeros títulos, relembra com carinho da época que estudou no Gakuen. ''Tive uma infância muito feliz na escola. E por isso, homenagear o 'sensei' é mais do que uma alegria, é uma satisfação, pois ele tem papel fundamental na minha educação e no meu interesse pela física'', contou.
O título de professor-pai, agregada desde sempre à Sugimoto, continua sendo a melhor maneira de descrevê-lo, segundo um dos seus cinco filhos, Masanori Sugimoto, 64, que veio especialmente de Salvador, na Bahia, para a homenagem.
''Ele sempre tratou os alunos como se fossem filhos. A escola era frequentada por mais de 300 alunos nisseis e destes, cerca de 70 eram internos. Funcionava como se fosse uma grande família'', lembrou ele, que além das aulas, também participava das atividades extra-curriculares de judô, kendô, teatro e atletismo.
Mesmo com a saúde fragilizada, Sugimoto esteve durante todo o encontro, muito saudoso e animado para participar de toda a programação, que além de um gigante álbum de fotografias, também incluiu apresentações culturais.
As amigas de infância, Deiko Oguido, 70, e Leiko Imamura, 66, nem precisaram ler os nomes nos crachás. ''Faz uns 50 anos que não a vejo e hoje, ela continua com o mesmo olhar. Não tinha como não reconhecer'', comentou Deiko.
E foi assim, embaixo da faixa que abrigava a frase ''Recordar é viver'', que os ex-alunos iam redescobrindo a infância em rostos bem vividos, porém jamais esquecidos.

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