Ao mestre, com muito carinho
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sábado, 27 de setembro de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Os anos se passaram, mas as lembranças dos bons tempos de escola ainda permanecem vivas na memória dos mais de cem alunos da Seiryo Gakuen de Londrina. Prova disso é uma belíssima homenagem dedicada ao professor e fundador da instituição, Rokuro Sugimoto, de 86 anos, ontem pela manhã, na Chácara Canaã.
Durante todo o encontro, o clima não poderia ser mais emocionante, principalmente para Sugimoto, que ao lado da esposa Fumiko, recebia com carinho e lágrimas, os cumprimentos dos alunos, dos quais ele ensinou e projetou o caminho da vida.
Um bom exemplo é o ex-aluno Roberto Yoshiuti Hukai. Aos 68 anos, ele que é físico nuclear renomado, PHD em energia pelo Instituto de Tecnologia em Massachusets e o responsável pelo projeto do gasoduto Bolívia-Brasil, entre outros inúmeros títulos, relembra com carinho da época que estudou no Gakuen. ''Tive uma infância muito feliz na escola. E por isso, homenagear o 'sensei' é mais do que uma alegria, é uma satisfação, pois ele tem papel fundamental na minha educação e no meu interesse pela física'', contou.
O título de professor-pai, agregada desde sempre à Sugimoto, continua sendo a melhor maneira de descrevê-lo, segundo um dos seus cinco filhos, Masanori Sugimoto, 64, que veio especialmente de Salvador, na Bahia, para a homenagem.
''Ele sempre tratou os alunos como se fossem filhos. A escola era frequentada por mais de 300 alunos nisseis e destes, cerca de 70 eram internos. Funcionava como se fosse uma grande família'', lembrou ele, que além das aulas, também participava das atividades extra-curriculares de judô, kendô, teatro e atletismo.
Mesmo com a saúde fragilizada, Sugimoto esteve durante todo o encontro, muito saudoso e animado para participar de toda a programação, que além de um gigante álbum de fotografias, também incluiu apresentações culturais.
As amigas de infância, Deiko Oguido, 70, e Leiko Imamura, 66, nem precisaram ler os nomes nos crachás. ''Faz uns 50 anos que não a vejo e hoje, ela continua com o mesmo olhar. Não tinha como não reconhecer'', comentou Deiko.
E foi assim, embaixo da faixa que abrigava a frase ''Recordar é viver'', que os ex-alunos iam redescobrindo a infância em rostos bem vividos, porém jamais esquecidos.


