Anúncio do DER preocupa vendedores
Marcos NegriniSobrevivênciaAntonio Fernandes diz que não tem serviço no campo e foi para o contorno vender uvaO Departamento de Estradas de Rodagens (DER) quer retirar todas as barracas que vendem uva, vinho e brinquedos no contorno de Marialva (17 km de Maringá). A estatal alega que as barracas, instaladas em trecho de cerca de 20 quilômetros há quase nove anos, está na faixa de domínio e apresenta risco de acidentes. O sargento Francisco Silva Vitorino, da Polícia Rodoviária, explicou ontem para a Folha que existe um limite para construir na margem de qualquer rodovia.
Ele disse que toda obra particular deve ficar a 40 metros do eixo da pista. As barracas do contorno de Marialva estão ao lado do acostamento, a menos de quatro metros da pista, informou. Segundo o sargento, os proprietários das barracas já foram acionados e precisam sair do local. O local onde as barracas estão é perigoso, os motoristas às vezes param com parte do veículo em cima da pista para comprar alguma coisa. Já foram registrados acidentes por causa das instalações.
Os proprietários das barracas não gostaram da decisão do DER. Antonio Fernandes, que está na atividade há dois anos, disse que nunca foi avisado da proibição de construir no local. Tinha um monte de barraca no contorno, eu não conseguia emprego na roça e vim para cá também, contou. Ele não disse quanto fatura na venda de uva e brinquedo, mas informou que consegue sustentar a família. Esse pessoal não quer mesmo a gente trabalhando, criticou.
Um dos mais antigos donos de barracas no contorno, Belmiro Antonio Marques, também garantiu que nunca foi avisado da irregularidade das instalações. Aqui tem umas 15 barracas e só agora, com a privatização da rodovia, o pessoal vem com esse papo, que a gente só está sabendo pela imprensa. Na opinião dele, Marialva é conhecida nacionalmente pela qualidade da uva que produz e, sem as barracas, ninguém vai entrar na cidade para comprar a fruta.
Em outros municípios do país, onde existe uma produção grande de frutas, é comum os vendedores na beira da rodovia, disse Marques. As barracas, enfatizou, garantem emprego e renda para o município. O viajante que passa pela rodovia não vai parar para outra coisa e se ele deixar R$ 10 aqui, é um dinheiro que estava indo embora pela pista que fica na cidade. Pelos cálculos dos barraqueiros, são vendidos cerca de 100 quilos de uva por dia no contorno.





