Anúncio de cemitério na Warta gera polêmica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O industrial José Misael Odebrecht criticou ontem a possibilidade de implantação de um cemitério próximo ao atual crematório próximo à PR-545, entre o Distrito de Warta e o Patrimônio Heimtal, na zona norte de Londrina. O local é considerado de utilidade pública para instalação do novo cemitério da cidade desde 2013. A área tem 121 mil metros quadrados e fica próxima à nascente do Rio Jacutinga. "É uma área que possui 14 minas de água e não pode ter um cemitério próximo dali", destacou.
Segundo ele, existe o risco do chorume produzido pela decomposição dos cadáveres atingir o rio e os lençóis freáticos. "A prefeitura falou que se implantar o cemitério ali, seriam criadas barreiras sanitárias que impediriam que o chorume atingisse o rio. Temos que considerar que existe a Lei de Murphy, que diz que se uma coisa pode dar errado, ela vai dar errado. Já aconteceu de nossa propriedade ser atingida por um volume de chuva tão grande que a soja deitou. Pode acontecer de novo. Não sei se isso pode acontecer em cinco, dez ou 15 anos, mas se o cemitério for implantado lá, certamente isso acontecerá e pode transbordar essas barreiras", ressaltou o empresário, que cogita até mudar a empresa Café Odebrecht de cidade. "Ali pode se tornar uma zona mortuária. Uma indústria de alimentos não combina com uma zona mortuária", criticou. "Hoje a nossa indústria é responsável por 380 empregos. Se eu não for ouvido, terei de mudar de cidade e essas pessoas perderão os empregos", alertou.
O Distrito da Warta tem uma população total de 1.497 habitantes, sendo 932 na zona urbana e 565 na zona rural.
Odebrecht relembrou que em 1997 foi criada a Lei 7.122 que determinou que ali seria uma região de turismo gastronômico, mas logo depois implantaram um crematório no local.
A superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Sônia Gimenez, afirmou que o local para construção do novo cemitério ainda não foi definida. Ela confirmou que há o interesse sobre esse terreno, já que o proprietário mostrou o interesse de vender essa área para a prefeitura. Mas destacou que outras áreas foram sondadas.
"Visitamos entre 10 e 12 terrenos, mas a gente ainda não definiu nada. Existe uma outra área no final da Avenida Saul Elkind, uma no Jardim Primavera e outra na região Sul. Pelos critérios técnicos, a área na Warta seria a que mais apresenta condições de abrigar o cemitério", explicou.
Ela descartou o risco de contaminação. "Se o projeto for bem feito e executado, não há esse risco. Implantaremos mantas de isolamento e drenos de contenção de chorume e drenos para eliminação do gás", garantiu.
O prefeito em exercício Guto Bellusci afirmou que a decisão do local em que o cemitério será implantado caberá ao prefeito Alexandre Kireeff, que está em férias.
Segundo a Acesf, atualmente a cidade possui 31 mil jazigos, distribuídos em cinco cemitérios municipais urbanos e oito distritais. Além disso, existem três unidades particulares e um crematório. Dos 15 falecimentos diários que acontecem na cidade, apenas 10% são de outros municípios. A Acesf trabalha na revisão de concessões de túmulos abandonados ou em situação irregular para tentar liberar terrenos.
A construção de mais um cemitério pode demorar pelo menos um ano. Nos cemitérios urbanos existem ainda cerca de 300 vagas, mas a solução para o esgotamento das vagas nesses locais até que o novo cemitério seja construído são os cemitérios distritais como os de Maravilha e de Lerroville.


