Anulada venda da área da Rodoferroviária
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O leilão que vendeu, por R$ 2 milhões, o terreno onde está instalada a Rodoferroviária de Curitiba foi anulado. A Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) depositou, no prazo legal, os R$ 25 mil correspondentes ao valor da ação trabalhista que causou a penhora do imóvel. A medida foi adotada porque a RFFSA não concordou com o valor arrematado. De acordo com o chefe do escritório regional da RFFSA, Paulo Sidnei Carreiro Ferraz, o imóvel, de 50 mil metros quadrados, vale em torno de R$ 25 milhões.
''Se o lance se aproximasse desse valor não recorreríamos'', disse Ferraz. Segundo ele, seria um excelente negócio para a rede que acumula cerca de 2,5 mil ações trabalhistas de funcionários do Paraná demitidos quando da privatização da estatal. A Justiça do Trabalho penhorou os bens patrimoniais da RFFSA como garantia do pagamento das indenizações. Nas outras mil ações, a rede fez acordo com os empregados, reduzindo em R$ 12 milhões seu passivo trabalhista.
A penhora do terreno da Redeferroviária servia de garantia para uma única ação, no valor de R$ 25 mil. ''Se o arrematante pagasse o valor do imóvel, além de quitar a penhora, poderíamos acordar com todos os outros reclamantes e reduzir nosso passivo'', explicou Ferraz. ''A rede está em liquidação. Precisa ir desmobilizando seu patrimônio para resolver os passivos trabalhistas.''
Ferraz informou que parte do chamado ''Complexo Ferroviário'', que abrange uma área de 220 mil metros quadrados no entorno da Rodoferroviária (incluindo o terreno ocupado por esta), foi penhorado para cobrir 200 ações trabalhistas. O valor da área seria de R$ 50 milhões. Todo o patrimônio da rede, em Curitiba, é de R$ 90 milhões.
Ferraz encara o leilão como um processo normal, uma vez que as ações contra a rede estão em fase de execução. Outras áreas pertencentes à RFFSA e ocupadas pela Prefeitura de Curitiba, lembrou, já foram a leilão. ''Infelizmente, não houve arrematante'', comentou. Esse foi o caso dos terrenos ocupados pelo viaduto do Capanema e pelo Centro de Excelência do Voleibol, no Bairro Rebouças.
O lance inicial do leilão que vendeu a Rodoferroviária foi de R$ 1,050 milhão. Segundo o leiloeiro oficial Plínio Barroso de Castro, 198 pessoas participaram. No edital do pregão, não constava os prédios que abrigam a Rodoferroviária, pois, segundo ele, o documento considera apenas as informações da matrícula do imóvel. Como as construções não foram averbadas, não há registro. Em tese, as instalações da Rodoferroviária estão ilegais há 36 anos. Ele não revelou o nome do arrematante.


