Antunes assume o comando da UFPR
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 1998
Israel Reinstein e Jorge Eduardo 
A Universidade Federal do Paraná, a mais antiga do País, fundada em 1912, muda de comando hoje à noite, quando o engenheiro José Henrique de Faria passa o cargo ao historiador Carlos Roberto Antunes dos Santos, que, amanhã, será empossado no gabinete do ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Passa-lhe o cargo, um gigantesco, mas volátil, orçamento de R$ 250 milhões (menor apenas que o do Paraná e o de Curitiba), uma montanha de problemas e, como se tudo isso não bastasse, uma greve de professores, alunos e funcionários que se arrasta há quase 20 dias. Nada que assuste esse pós-doutor de 52 anos de idade, diplomado em Paris e conhecido nos meios acadêmicos pelo apelido herdado do pai, Ruy Santos, o Motorzinho, técnico de futebol que comandou o Atlético Paranaense em 1948/49, o inesquecível Furacão.
Ex-juvenil do Atlético - para o qual ainda torce - e ex-jogador de seleções de futebol amadoras, Antunes prepara um chute de trivela na mesmice quase ingênua da universidade, que, por ser pública, acostumou-se a ser tratada como mero penduricalho dos orçamentos federais.
Não só por ser ligado ao pensamento mais progressista da comunidade acadêmica, aquela turma que, há 30 anos, jogava bolinhas de gude sob as patas dos cavalos da PM, mas por ser solidário com a instituição que vai dirigir, Antunes apóia sem ressalvas a greve de colegas, alunos e funcionários. Tem com eles, aliás, uma dívida, pois foi o primeiro dos quatro reitores já eleitos na UFPR a ganhar nas três categorias - num universo de 17 mil alunos, 6 mil funcionários (incluindo os do HC) e 2 mil alunos, teve, entre quatro concorrentes, 21,2% dos votos.
Mas voltemos ao tal chute do Motorzinho. Ele pretende conduzir uma pequena revolução na universidade, a começar pela necessidade de gerar recursos em escala cada vez maior, ampliando pesquisas e parcerias com a iniciativa privada. Da ampliação de cursos de línguas voltados à comunidade a projetos na área de tecnologia, a UFPR, com seu novo reitor, terá de aprender a fazer dinheiro para se sustentar e, de alguma maneira, manter os mestres e doutores que anda perdendo para outras instituições. As bases no interior também serão melhor atendidas. Somos Universidade Federal do Paraná, ressalta.
Ao sacudir a poeira, Carlos Roberto Antunes dos Santos criará, em escala universitária, uma espécie de gerência de marketing para cuidar da UFPR em termos de projeção de imagem e atração de rentáveis parcerias. Temos de perder a timidez e encarar a situação: precisamos fazer dinheiro, afirma. Sua maior preocupação é com o Hospital de Clínicas, instituição modelo na formação de profissionais da área da saúde e no atendimento a carentes que, hoje, afunda numa dívida de R$ 40 milhões e, apesar da benemerência de sua associação de amigos, anda à beira da bancarrota. Governo, prefeitura e planos de saúde terão de pagar mais para ter seus pacientes atendidos pelo HC, avisa Antunes, ao anunciar uma de suas primeiras medidas em relação ao hospital: contratar um executivo de fora da universidade para gerir suas contas, deixando a medicina para os médicos.
Privatista? Nada disso. Sua postura, como a dos que o elegeram, é realista. Chegou o momento de a sociedade devolver à universidade, diz Antunes dos Santos, ao admitir que a instituição pecou também por distanciar-se dessa mesma sociedade ao longo dos anos. Vamos, sempre, defender e manter a universidade pública e gratuita. A velha Federal, de cara nova, agradece.Historiador Carlos Roberto Antunes dos Santos recebe hoje o cargo de reitor de José Henrique de Farias
Marcelo AlmeidaLiderançaCarlos Roberto Antunes: Vamos, sempre, defender e manter a universidade pública e gratuitaEle será empossado
amanhã no gabinete do
ministro da Educação,
em Brasília


