Londrina

Dorico da SilvaFragilidadeLígia Simonian informa que os índios são, fisicamente, mais vulneráveis à ação do álcool. Pesquisas e estudos indicam que eles têm deficiências enzimáticas que dificultam o processamento do álcool pelo organismoO controle do alcoolismo, doença que atinge a maior parte das comunidades indígenas do País, vai depender de uma ‘‘intervenção globalizada’’. Para a antropóloga Lígia Simonian, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará, que vem realizando pesquisas nas reservas do Rio Grande do Sul e Paraná, a solução do problema é o tratamento da sociedade indígena e não apenas do alcoólatra na sua individualidade. ‘‘A família também tem que ser tratada como co-dependente, porque sofre o impacto da ação do alcoolismo.’’
Lígia Simonian participa em Londrina da 1ª Oficina Macrorregional de Estratégia, Prevenção e Controle das DST/Aids para as Populações Indígenas das Regiões Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul. O evento começou anteontem e termina amanhã no hotel Sumatra, na área central da Cidade.
Desenvolvendo pesquisas desde 1994 nas comunidades indígenas do Rio Grande do Sul e Paraná, a antropóloga não possui um levantamento sobre a doença. ‘‘É preciso sensibilizar a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (FNS) para que possamos fazer um levantamento mais global. Não temos números, mas sabemos que a situação é muito grave.’’
Ligia destaca que o problema atinge 10% a 12% da população em geral, mas é ainda mais grave para os índios que, fisicamente, são mais vulneráveis aos efeitos do álcool. Pesquisas e estudos indicam que os índios têm deficiências enzimáticas que dificultam o processamento do álcool pelo organismo.
A pesquisadora cita áreas ‘‘clássicas’’ em que o alcoolismo pode ser constatado de forma mais grave, como entre os índios carajás (ilha do Bananal), bororós (Mato Grosso) e maxacalis (Minas Gerais). As causas do crescimento da doença entre os índios são múltiplas - perda da identidade cultural, exploração da comunidade indígena, queda da qualidade de vida e perda dos direitos territoriais.
‘‘O índio sem mata, caça ou pesca, sem base de subsistência, vê a sua situação cada vez pior’’, diz. ‘‘Esse quadro só vai mudar se houver a revalorização da cultura indígena, o resgate da identidade individual e cultural, em um contexto social mais amplo.’’
A Oficina Macrorregional Estratégia, Prevenção e Controle das DST/Aids para as Populações Indígenas prossegue hoje com uma mesa redonda sobre ‘‘Conceitos indígenas de saúde: conhecidos e desconsiderados’’. Também estão previstas exposições sobre o perfil de saúde dos caingangues do Rio Grande do Sul e relação saúde/doença entre populações indígenas.

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