Para informar os índios sobre os projetos de construção das usinas hidrelétricas Cebolão e São Jerônimo, que estão mais adiantados, a Copel realizou um laudo antropológico sobre os povos indígenas da Bacia do Rio Tibagi. O estudo foi elaborado pela antropóloga Cecília Maria Vieira Helm, professora da Universidade Federal do Paraná, que traz a experiência de ter desenvolvido o mesmo trabalho para a construção das Usinas de Santo Caxias e de Itaipu, localizadas nos rios Ivaí e Iguaçu, respectivamente. Acompanhada da professora Magali Pereira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cecília Helm esteve junto com os índios no ano passado.
‘‘Meu objetivo foi criar um canal de negociação entre os índios e a Copel’’, conta a professora curitibana. Ela diz que nas aldeias encontrou as comunidades bastante participativas e informadas. Porém, a maior dificuldade são as precárias condições em que vivem. Sem o apoio necessário da Fundação Nacional do Índio (Funai), denunciado pelo presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival Ren Vaj de Oliveira, os índios estão na pobreza. Doenças como gripe, pneumonia, bronquite e tuberculose se tornaram cada vez mais comuns. Hoje, para garantir o sustento, muitos índios saem das aldeias em direção às cidades para vender artesanato ou até mendigar.
De acordo com Cecília Helm, caso os índios aceitem os projetos, a Copel prevê melhorias na infra-estrutura das aldeias atingidas pelas barragens. Eles poderão receber outras áreas de terra ou o dinheiro da indenização e ainda ações sociais para a comunidade. A professora conta que os índios pedem melhorias nas áreas educacional e agrícola, principalmente. Entre os sonhos de consumo estão clubes, escolas, bibliotecas, computadores e até filmadoras. ‘‘Não acho que esses projetos possam trazer prejuízos para a cultura dos índios. Afinal, há mais de um século eles vêm recebendo informações da cultura ocidental, desde a chegada dos jesuítas’’, lembra Cecília Helm.
O laudo antropológico mostra que, se as usinas forem implantadas, os índios terão a desvantagem de ver o meio ambiente da região modificado. O rio, hoje com corredeiras, ficará com águas paradas e, com isso, haverá o desaparecimento de algumas espécies de peixes. A convivência com pessoas estranhas ao meio também será inevitável durante os anos de construção dos equipamentos. ‘‘Por outro lado, todos os índios terão energia elétrica em casa, postos de saúde, estradas e veículos para locomoção’’, explica a antropóloga.

mockup