Antonio, personagem do câmpus
Duas décadas e meia é tempo suficiente para não queimar pipoca na panela, salgar de acordo com o gosto da clientela e ter histórias. Antonio Mosqueto, 63 anos, que o diga. Pipoqueiro desde 1965, seo Antonio está vinculado à história da Universidade Estadual de Londrina (UEL) há pelo menos 24 anos. Desde que o câmpus foi inaugurado ele transferiu o seu negócio para lá, onde com um carrinho ultimamente atende os estudantes do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA).
Nos quatro dias de vestibular seo Antonio garantiu espaço no estacionamento do Centro de Ciências Humanas (CCH). Apesar de ser inverno, sentiu os efeitos do calor, principalmente na gaveta do carrinho, onde a renda do dia é guardada.
- Pipoca está com movimento fraco. Está saindo muito pouco. Ontem (terça-feira) vendi só R$ 10,00.
Além do calor durante o vestibular, seo Antonio tem queixa da concorrência. Antes, os carrinheiros só disputavam a fome do pessoal do câmpus com as cantinas. Agora a UEL tem até restaurante.
- Mas a UEL precisava de um restaurante. Fazer o que?
Com a renda da pipoca seo Antonio sustenta mulher e duas filhas, uma delas já trabalhando. As férias de julho na UEL, segundo ele, são suportáveis, são poucos dias sem aulas. As do final e começo de ano para ele são torturantes. Mas tudo tem o seu preço, conforme diz, quando se tem a vantagem de poder incluir, em uma simples história de vida, coisas que para seo Antonio são importantes.
- Já vendi pipoca para muita gente boa, muito profissional bom que estudou aqui na UEL.
E de quem seo Antonio se lembra, assim num repente, sem ter que remexer muito no passado?
- O Jackson (reitor Jackson Proença Testa) foi estudante, depois professor e agora é reitor. Ainda é meu cliente. O Alex (secretário do Estado Alex Canziani) também já comprou muita pipoca comigo. E tem muitos outros. O Hauly (deputado Luiz Carlos Hauly), por exemplo, passou muito pelo meu carrinho. (W.O.)

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