A história da Vila Nova é tão complexa que virou tema de monografia e inspirou um escritor e antigo morador a produzir um livro que narra fatos da infância vivida nas ruas do bairro.
A pesquisa desenvolvida pelo formando em História da UEL, Ailton da Silva Nantes, ganhou o nome de ''História do Bairro Vila Nova em Londrina: formação, desenvolvimento e composição social''. Em 80 páginas, estão contidos levantamentos sobre os primeiros anos da cidade, a formação das primeiras vilas, depoimentos de pioneiros e detalhes sobre os ''points'' do bairro na época de ouro, como o Cine Espacial, a Associação Recreativa dos Operários de Londrina (Arol, também chamada carinhosamente de ''Clube dos Pretos''), o Bar Viação, entre tantos outros. ''Ao longo dos anos, o bairro passou por diversas delimitações territoriais. De apenas algumas quadras, estendeu-se por uma faixa que equivale a, aproximadamente, 19 vezes o seu tamanho original'', escreveu Nantes na introdução da pesquisa.
O texto aponta ainda as transformações que deram ''cara nova'' ao bairro, como construção de mansões e o desenvolvimento da Rua Araguaia, um dos principais pontos comerciais da cidade onde estão instaladas várias oficinas e lojas de autopeças. Mesmo com os avanços, Nantes lembrou que as casas de madeira persistem, assim como a união da população diante dos problemas. ''A pouca atenção da administração municipal não foi motivo de inibição aos moradores da Vila Nova (...). Assim que podiam, através de sua associação ou outros meios disponíveis e, principalmente, através do trabalho, estavam reivindicando ou produzindo melhorias no bairro''.
Já o escritor e fotógrafo Walter Ney preferiu transformar a história em contos e crônicas bem-humoradas. No livro ''Tempo de Infância'', publicada em 1997, Ney fala das experiências vividas na Vila Nova e em outros bairros tradicionais de Londrina. Na capa da publicação, a foto do primeiro local onde morou: uma pequena casa de madeira na Rua Grajaú. Leia abaixo um trecho do livro, que fala sobre as ruas onde o autor brincava com os amigos.
''Aos sete anos, as ruas me deram senso do limite, do proibido. O meu território era delimitado pelas ruas Araguaia, Tietê, Guaporé e Mamoré. Dentro desse quadrado, navegávamos pelas ruas Grajaú, Pururs, Pirapó, Javari, Jaguaribe e Tibagi. De todas as zonas de fronteira, a única em que tínhamos permissão para avançarmos era a rua Araguaia. Nela ficava o Grupo Escolar Nilo Peçanha (...). Longa como o rio, era caudalosa também em bares. A rua era um rio de água-ardente''. (extraído da crônica ''Ruas'')

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