Antigos dizem que o Dia da Mentira mudou
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Vivian de Albuquerque 
É com saudades que a grande maioria dos frequentadores da Boca Maldita, em Curitiba, lembra do dia 1º de abril. Quando o calçadão da Rua XV vivia ainda seus áureos tempos, eram comuns, no dia da mentira, as pegadinhas inocentes, as brincadeiras e o riso. Mas hoje a realidade, pelo menos para quem viveu naqueles dias, parece ser bem diferente.
Era o dia das famosas conversas de pescador, conta o aposentado Osvaldo Freitas. E não era só o peixe que pesava cinquenta quilos, não. Tinha gente que chegava contando que comprou um carro zero. Outros diziam que estavam ganhando 20 mil cruzeiros por mês, e todo mundo acabava em gargalhadas.
Hoje o que se vê é bem diferente, completa César Veiga, de 69 anos. As brincadeiras já não são tão engraçadas assim. Segundo Veiga, eram mesmo comuns as chamadas pegadinhas, semelhantes as que são divulgadas atualmente nas redes de televisão.
Mentiras saudáveis também existiam e ainda existem até hoje. A mais recente na Boca, é a de um aumento milagroso de 50% para os aposentados. Ninguém sabe ao certo de onde ela surgiu, mas a verdade é que a mentira ganhou tanto espaço, que tinha gente quase acreditando. Deve ter sido uma forma de alegrar o povo por aqui, diz José Favoretto, outro dos aposentados do calçadão.


