Antigo problema ambiental começa a ser corrigido
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), uma enorme erosão que começou a se formar há vários anos no interior do Parque das Nações e ameaçava a nascente do Córrego Tabapuã começou a ser corrigida. O problema é antigo, mas foi agravado após as chuvas de janeiro de 2016. O buraco de cerca de dez metros de profundidade foi formado pela enxurrada que desce com força pela Rua Canário da Terra e escoa para dentro da mata. Além de destruir a vegetação, a erosão já se aproximava das casas construídas no entorno do parque.
Segundo o prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre (PSC), os trabalhos devem ser concluídos dentro de 20 dias. "Estamos fazendo a contenção da erosão. Já retiramos o bueiro da Rua Suindará, que levava a água para dentro do parque, e vamos fechar aquele buraco que se formou dentro da mata", explicou. A obra, disse o prefeito, está sendo feita com recursos do município e deve custar cerca de R$ 400 mil. Mas Onofre ressaltou que a erosão no Parque das Nações "é o menor problema ambiental de Arapongas". "Tem mais sete pontos e vamos fazer um projeto meio demorado para todas essas obras." A prefeitura estima em cerca de R$ 500 mil o custo dos projetos, que devem ser licitados. Para a execução das obras, Onofre ainda tenta obter R$ 18 milhões em verbas do governo federal.
O problema da erosão no Parque das Nações foi denunciado à FOLHA em agosto de 2016 pelo Observatório Ambiental de Arapongas. Procurado pela reportagem, o Ministério Público informou na época que o município deveria assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) comprometendo-se a solucionar o problema. As cláusulas foram discutidas no início de agosto e a expectativa era de que o documento fosse assinado em até 30 dias. O documento, no entanto, não era exclusivo para a erosão dentro do Parque das Nações e abrangeria também outros oito pontos comprometidos por problemas ambientais no município. "Não assinei e não vou assinar nenhum TAC. Não vou me comprometer a resolver um problema que foi agravado pela falta de ação da administração anterior", disse o prefeito.
A promotora do Meio Ambiente de Arapongas, Leda Barbosa Lorejan, disse que o Ministério Público fez reuniões extrajudiciais com os órgãos envolvidos e no último dia 12 de dezembro expediu uma Recomendação Administrativa (RA) vinculando a atual gestão aos termos do documento. A RA estabelece um prazo de três meses para que a Prefeitura de Arapongas contratasse empresa ou profissional especializado para fazer um estudo de todas as áreas afetadas, elaborar um relatório técnico, identificar as causas dos problemas e apresentar soluções, além de providenciar a remoção das famílias que estiverem em áreas de risco. O prazo vence em março. O MP também solicitou à Sanepar a adoção de providências na rede pluvial.
Membro fundadora do Observatório Ambiental de Arapongas, a advogada Sandra Gasparotti afirmou que espera ver o problema da erosão no Parque das Nações resolvido. "Arapongas tem várias tragédias ambientais anunciadas e eu quero acreditar que isso (correção da erosão) vai acontecer porque é um dano ambiental enorme. O Observatório trabalha pelo bem da cidade e não quer bater de frente com a prefeitura. Temos até interesse em fazer uma parceria para colaborar na solução daquele problema", disse a advogada.


