Antigo pool serve de abrigo a marginais
Mauricio Della Barba
De Londrina
Desativado há sete anos, o local que abrigava depósitos de combustível de várias companhias distribuidoras, e que ficou conhecido como pool de combustível, na zona leste de Londrina, virou abrigo de marginais e usuários de drogas. A situação está preocupando os moradores dos jardins Damasco e Morumbi, que reclamam do abandono. O pool foi transferido para o Jardim Maria Lúcia (zona oeste) em janeiro de 1993 porque submetia os moradores ao risco de explosão e incêndio. Com a desativação dos depósitos no Jardim Interlagos, o mato se proliferou pela área e os antigos barracões e prédios acabaram sendo depredados.
Nem a polícia dá conta de prender os ladrões que fogem e se escondem no meio deste matagal aqui, disse o vigia da passagem de nível da linha férrea, Antônio Pinto do Nascimento. O mato alto está crescendo por toda a extensão do ramal ferroviário, tornando o local perigoso e amedrontando os moradores. Fora da época da safra de soja, que acontece nos meses de março a abril, poucos vagões passam pelo local.
A linha do trem que atravessa os dois bairros é um ramal que antes era utilizado pelo pool para o transporte de combustíveis. Atualmente, apenas a Comércio e Indústrias Brasileiras S.A (Coinbra), fábrica de óleo bruto, utiliza o trecho.
Sem os trens por aqui, muita gente ruim fica fumando maconha, fazendo sexo e outras coisas mais, contou o vigia. Ao lado da guarita, que nem água potável tem, um barracão abandonado e antigo utilizado por um extinto moinho, serve de mocó.
O risco de ser assaltado por aqui é grande. Tem que tomar muito cuidado, principalmente à noite, revelou Maria Lellis Ferreira, de 48 anos, que mora há cinco anos na região. A dona de casa conta que já foi atacada, juntamente com a filha e a cunhada, por um homem nu em plena luz do dia. Ele saiu do meio do mato e veio para cima. A sorte é que estávamos em três e conseguimos bater e espantar o bandido, lembrou Maria.
A dona de casa reside com o marido e outros quatro filhos em uma casa onde funcionava o depósito da Ipiranga Combustíveis. Segundo ela, dentro do terreno em que mora, os marginais não entram e o mato é cortado. A gente cuida daqui e por isso os marginais não entram, explicou.
Jamil Flausino é outro morador da região responsável por cuidar de um terreno particular que pertenceu a uma empresa de combustíveis. A gente chama a polícia para espantar o pessoal, mas eles não conseguem prender ninguém. Fogem no meio do mato, salientou.
Outra reclamação dos moradores é do barulho feito pelo trem, principalmente quando é época de safra. Na safra, o trem passa duas a três vezes por dia e não tem horário certo. Além de rachar as paredes, ele apita forte e de madrugada, contou Maria.
O vereador Célio Guergoletto, que defendeu a retirada do pool, disse reconhecer o abandono e o descaso das autoridades. Tiramos o pool de lá e criamos outro problema.
Para ele, a prefeitura deveria punir os donos dos terrenos e construções abandonadas. Existe uma lei que obriga os donos a cuidar dos terrenos, lembrou.Com a desativação do depósito de combustíveis na zona leste, moradores trocaram perigo de incêndio pelo risco de assaltos
Mário CesarMário CesarPAISAGEM TRISTEO prédio do moinho, no pool, que virou mocó. Abaixo, a moradora Maria Lellis: violência





