Antigo centro comunitário gera polêmica
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sexta-feira, 09 de julho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Um galpão de pouco mais de 80 metros quadrados está causando polêmica no Jardim Pindorama (Zona Leste de Londrina). No passado, o prédio abrigava um centro onde a comunidade tinha aulas de costura e auxiliar de pedreiro. Com o desmantelamento da Sociedade de Amigos do Bairro, que mantinha as atividades, o local ficou abandonado e foi invadido por quatro famílias carentes. Agora a Associação de Moradores quer o terreno para construir um novo Centro Comunitário.
O prédio está em condições precárias, com as paredes rachadas, fiação solta e, em alguns pontos, uma lona protege o telhado quebrado das goeiras. Nem mesmo os moradores mais antigos lembram ao certo quando as famílias entraram. Um dos moradores mais antigos, Donizete Madi de Lima, 47 anos, mora no prédio há mais de 11 anos.
Segundo ele, o galpão é da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). Tanto ele como os demais vizinhos afirmam não ter condições de morar em outro lugar. Caso da moradora mais recente, Evanilde Oliveira, 38 anos.
Ela, o marido e quatro filhos dividem um do cômodos do galpão. ''Eu invadi mesmo, não tinha para onde ir'', afirma. Segundo ela, a família está há dois anos na fila da Cohab e técnicos já teriam visitado o local, afirmando que o prédio precisa ser demolido. ''Só não disseram quando.'' Outra moradora, dona Alice, está condições ainda piores. Sozinha e doente, ela depende da ajuda de vizinhos. Ontem à tarde, a vizinhança conseguiu levar a idosa ao hospital.
No centro da polêmica está o presidente da Associação de Moradores, Alexandre Colognhezi. Ele argumenta que a comunidade não tem Centro Comunitário e empresa espaço da creche para desenvolver atividades. ''Como é uma área pública e o prédio precisa ser demolido nós queríamos que o terreno fosse devolvido para que cumpra sua função.''
A opinião dele não é compartilhada por todos. Vários vizinhos cercaram a reportagem para defender os moradores do galpão. ''Se o prédio não ajuda também não atrapalha, esse pessoal não tem condições de ir para outro lugar, além disso se eles saírem daqui quem vai cuidar da dona Alice?'', questionou, revoltado, um rapaz que não quis se identificar.
O presidente da Cohab, Carlos Afonseca, disse desconhecer a situação e não confirmou que o galpão pertence à companhia. Ele também afirma que a associação de moradores não teria registrado nenhum requerimento sobre o prédio. ''Se é mesmo uma invasão, a política da Cohab é relocar as pessoas mas precisamos saber como eles foram parar lá, há quanto tempo estão, etc'', disse. Uma equipe da Cohab deve visitar o local na segunda-feira.


