Antigamente morar perto do rio era um luxo que todos queriam
Antigamente morar perto do rio
era um luxo que todos queriam
Curitiba
Mauro FrassonSouza: Apesar de
tudo, sair daqui seria um péssimo
negócio
A população ribeirinha reclama da desvalorização
sofrida pelas casas e terrenos próximos ao leito do Rio Iguaçu. Mesmo a idéia
de construir um dique margeando o rio encontra mais obstáculos do que o
custo da obra, atualmente estimado em US$ 86 milhões. Na verdade, esses
moradores seriam obrigados a deixar a área se o dique fosse concretizado,
sem receber qualquer indenização. A incapacidade de reaver o valor investido
em sua casa leva o comerciante Paulo César Souza a reprovar os projetos de
relocação de famílias que moram nas áreas de alagamento. Sair
daqui seria um péssimo negócio para mim e para muita gente,
diz.
A decadência da região é um
fenônemo recente. Antigamente, morar próximo ao rio era um
luxo, uma coisa que todo mundo desejava mas que poucos
conseguiam, diz o comerciante, lembrando das histórias do
início do século contadas por seu avô. Na época, em que não havia água
canalizada no município, a proximidade com o Iguaçu era garantia de água
fresca e limpa. Hoje, depois das constantes enchentes, a casa de Souza perdeu
mais da metade do valor.
A casa do comerciante é uma
das construções mais próximas ao rio, salva da presença constante da água
apenas pela altura que a separa do nível normal do Iguaçu. A proximidade é
tão grande que o chão da antiga lavanderia, destruída na última enchente,
compõe uma das margens do lado esquerdo do rio.
A idéia de construir o dique
também começou a ser abandonada pela prefeitura quando os custos de
manutenção e os riscos de rompimento foram avaliados. Segundo o secretário
de Planejamento, Mário Slomp, com o dinheiro da obra seria possível comprar
casas, no valor médio de R$ 35 mil, para cada uma das famílias que vivem
próximas ao rio. (C.P.)





