Antiga, mas ainda presente
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sexta-feira, 04 de maio de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Apesar de estarmos em 2012, existem doenças antigas que ainda assombram a população. Uma delas é a hanseníase. Cristina Aranda, dermatologista e responsável pelo ambulatório de Hanseníase da Políclínica e do Cismepar em Londrina, afirma que, embora contagiosa, há tratamento ofertado gratutitamente em todo o sistema de saúde.
Transmitida por via respiratória, assim como gripes e resfriados, a doença se desenvolve em apenas 5% a 10% de quem entra em contato com o bacilo. ''O tratamento é feito por via oral e dura seis meses ou um ano, conforme as condições clínicas do paciente. Após duas semanas de tratamento já não há mais risco de contágio'', explica a dermatologista. Nos casos em que há sequelas pode ser necessário um tempo maior de tratamentos específicos, por isso a importância do diagnóstico precoce.
''Após o contágio a doença se instala na pele e nervos, causando manchas, falta de sensibilidade e dormência nos membros. Com o tempo pode haver comprometimento neural que, se não for tratado a tempo, causa sequelas permanentes'', alerta Cristina.
Preconceito
Apesar da cura, ainda existe muito preconceito, considerado um dos principais desafios a serem enfrentados pelos pacientes, segundo o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio. ''O estigma existe porque as pessoas têm muita informação errada sobre a hanseníase. Desmistificar isso é muito importante. Com empenho dos governos e mobilização da população é possível diminuir o preconceito e eliminar a doença'', ressalta.
Embora seja uma doença antiga, como já foi colocado, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) colocam o Brasil como o segundo país em número de incidência da hanseníase, ficando atrás apenas da Índia. Dos quase 230 mil casos novos detectados em todo o mundo, cerca de 35 mil foram registrados no país. Para tentar diminuir esses números a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove hoje um dia de atendimento gratuito à população em hospitais e postos de saúde, visando identificar e dar início ao tratamento da doença. No Paraná o atendimento será feito apenas em Curitiba, na Rui Barbosa.
O estado, inclusive, foi apontado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia como o que registrou a maior incidência da doença na Região Sul no ano passado: 9,07 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul este índice ficou em 3,42 e 1,14, respectivamente. Cristina explica que uma das hipóteses que justificam esses dados seja que no nosso Estado haja um número maior de diagnósticos.
Juliana Cândida Fernandes, enfermeira técnica responsável pelo Programa Regional de Hanseníase na 17 Regional de Saúde, em Londrina, afirma que em 2007 a RL teve um coeficiente de incidência de 2,25. ''Em 2011 tivemos um coeficiente de 0,78 casos por 10 mil habitantes.''
Ainda segundo ela, a maioria dos casos diagnosticados é a forma multibacilar, considerado o estágio mais avançado da doença. ''Atualmente temos 50 pessoas em tratamento no município de Londrina e 47 tratando nos outros municípios da 17 Regional de Saúde. Neste ano chegaram 30 novos casos, sendo 19 apenas no nosso município'', explica Juliana.
Em 2011 foram diagnosticados 12 casos com grau 2, considerado o de maior sequelas e neste ano já são 5 casos diagnosticados com grau 2 de incapacidade física. Juliana ressalta também que além do tratamento precoce das pessoas com hanseníase é importante fazer o exame de contatos intradomiciliares destes pacientes, a fim de interromper a cadeia de transmissão. (Com Folhapress)
Serviço: No Paraná o atendimento da Campanha será feito apenas na Praça Rui Barbosa, em Curitiba, hoje, das 8h às 15h. Nos outros municípios e também na Capital o atendimento é feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).


