Anticoncepcionais somem dos postos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de junho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Nem anticoncepcionais nem preservativos masculinos. Esses dois importantes ítens contraceptivos não estão mais sendo distribuídos gratuitamente pelas unidades básicas de saúde (UBS) de Londrina há quase dois meses. Algumas farmácias já registraram aumento nas vendas nas últimas semanas mas essa falta poderá ter reflexos no programa de planejamento familiar do município.
Após receber algumas reclamações, a reportagem percorreu postos da Zona Oeste e da Zona Sul e telefonou para postos de outras regiões e confirmou que nenhum deles dispunha de anticoncepcional ou preservativos para distribuir à população usuária. Em 20 de maio, a Folha publicou matéria sobre a falta de camisinhas nos postos e a promessa foi de que o problema seria regularizado em poucos dias (ler box). Nos postos, as mulheres que procuram anticoncepcionais ou preservativos estão sendo orientadas a comprá-los nas farmácias, o que já vem acontecendo, por exemplo, no Jardim União da Vitória (Zona Sul). O farmacêutico Luiz Moreira disse que teve que reforçar o estoque nos últimos meses para atender o crescimento da demanda. ''O pessoal procura e reclama que está faltando nos postos'', disse.
A dona-de-casa Cleonice Simeão, 35 anos, reclamou que não vem conseguindo retirar gratuitamente o anticoncepcional das marcas Ciclo 21, Microvlar e Levogen no posto de saúde do Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa. ''Isso está acontecendo há mais ou menos dois meses e não consigo pegar nem preservativo'', apontou. Ela faz uso da pílula desde o nascimento do primeiro filho, há dois anos e três meses, mas para continuar tomando o medicamento está tendo que desembolsar cerca de R$ 5,00 todo mês. ''Eu ainda posso comprar agora (que está em falta) mas e quem não tem esse dinheiro?'', questionou. Uma funcionária de um posto comentou que a falta de preservativos e anticoncepcionais é ''preocupante'', porque pode interferir no trabalho de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da gravidez indesejada desenvolvidos pelo programa de planejamento familiar.
O médico ginecologista Carlos Roberto de Resente Miranda reforçou que o dano maior, inclusive psicológico, que a carência de pílula pode provocar é a gravidez que não foi planejada, o que pode acontecer com a falta de apenas um comprimido. ''Se a mulher ficar dois dias sem tomar, o próprio fabricante recomenda que ela suspenda o tratamento, menstrue e só depois retome o uso'', explicou. Ele alertou que a gravidez indesejada pode, inclusive, significar custos extras para o Município com exames pré-natais e partos.
A diretoria de ações em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde foi procurada pela reportagem mas a informação foi de que todos estavam em uma reunião e não poderiam atender. A direção não retornou o pedido de entrevista.


