Certos tipos de antibióticos descobertos há mais de 60 anos, e que já não estavam mais sendo usados, estão de volta às receitas médicas. O que está
ressuscitando os medicamentos é o aumento do grau de resistência de microorganismos que causam infecções.
A preocupação é maior nos ambientes hospitalares, onde a proliferação de microorganismos resistentes é mais comum. Enquanto o avanço tecnológico permite intervenções de alto grau de dificuldade, como transplantes de órgãos, mortes por infecções causadas por bactérias multiresistentes ainda ocorrem.
''Não dá pra dizer se o aumento da resistência e o uso de medicamentos antigos vai ser uma coisa cíclica. Isso pode degringolar para uma época em que gente vai ter de voltar a usar as raízes e as preces para tratar infecções'', comentou a coordenadora das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Universitário e da Santa Casa, Claudia Carrilho.
O tema será discutido no 44 º Congresso Médico de Londrina, que teve a abertura oficial ontem à noite. A infectologista vai abordar a Ressuscitação das Velhas Drogas. A palestra faz parte do painel ''Microorganismos multiresistentes - uso intra hospitalar de antimicrobianos.'' Também vão falar Joseani Coelho Garcia (Uso racional de antimicrobianos dentro do hospital) e Marcos Tanita (Pneumonia comunitária grave na UTI).
Para Claudia Carrilho, a questão das bactérias resistentes é o maior problema no meio hospitalar porque o padrão de sensibilidade aos antibióticos tornou-se muito apurado. ''Bactérias que eram sensíveis a determinados antimicrobianos (antibióticos) hoje são resistentes'', ressaltou.
A resistência faz parte da natureza de qualquer microorganismo. Uma das causas do aumento, no entanto, é o uso indiscriminado dos antibióticos. Além da cultura da auto-medicação, o abuso ocorre, de acordo com a infectologista, dentro dos hospitais, devido a prescrições inadequadas e excesso de zelo dos profissionais.
As CCIH trabalham para racionalizar o uso de antibióticos, como uma das formas de prevenir as infecções. Os cuidados são simples: lavar e desinfetar as mãos antes e depois do contato com o paciente, uso de avental e luvas quando necessário, isolamento de doentes com a mesma bactéria no mesmo quarto, entre outros.
No Brasil, as taxas de infecção hospitalar variam de 5% a 15%. O índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 5% para hospitais comuns e um pouco superior para hospitais de ensino. Menos de 10% dos pacientes infectados morrem por causa da infecção.
''Enquanto você tiver paciente e hospital, vai haver infecção hospitalar, mas ela deve ser controlada para ficar dentro dos níveis aceitáveis. Não existe infecção zero'', resume.

Serviço - O 44º Congresso Médico de Londrina, da Associação Médica de Londrina, vai até o dia 22 de outubro, no Centro de Eventos (Rod. Mabio Gonçalves Palhano, nº 0. Informações pelo fone (43) 3341 1055.

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