Brasília – Remédios genéricos anti-retrovirais produzidos no Brasil chegam a custar até quatro vezes mais do que aqueles fabricados em outros países. A diferença, reconhecida pelo Ministério da Saúde, é fruto da produção em menor escala, da maior dificuldade em comprar matéria-prima e da falta histórica de uma política industrial farmacêutica. O preço alto também é atribuído, em parte, a uma espécie de ‘‘comodismo’’ dos laboratórios oficiais.
  A diferença entre os preços dos genéricos antiaids nacionais e indianos tornou-se significativa a partir de 2005. Estudo mostra que em 2005, enquanto aqui os preços subiam, no exterior era registrada uma redução de até 53% nos valores. Os laboratórios nacionais produzem 9 dos 17 remédios usados no coquetel para tratamento de pacientes com aids.
  Quando questionado sobre as razões da diferença de preços, o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, responde: ‘‘Eles fizeram a lição de casa. Eles se capacitaram, protegeram seu mercado. Nós fizemos o oposto: uma abertura irresponsável’’, diz, referindo-se à Lei de Patentes, de 1996, que apresentava todas as alterações recomendadas pelo acordo Trips. O tratado previa a possibilidade de um período de transição para adaptação às novas regras, mais rígidas, mas o Brasil abriu mão dessa flexibilidade. A Índia adotou caminho inverso.

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