Antenas levam tecnologia ao campo
Emancipado em 1993, o município de Pitangueiras (84 km ao norte de Londrina) é um recanto de tranquilidade. Os cerca de 3 mil moradores convivem com costumes de antigamente, como bater papo no fim da tarde na praça da cidade, e novos hábitos, como exercitar-se na Academia da Terceira Idade e navegar na internet de graça por meio da rede sem fio.
O sistema montado é semelhante ao de Santa Cecília do Pavão. O diferencial é que uma das antenas distribuidoras foi instalada na zona rural. Assim, pequenos produtores também podem contar com a facilidade de estar conectados de graça. Este é o caso do estudante João Paulo Lisboa, 21 anos, morador de uma das três vilas rurais de Pitangueiras.
Com a proximidade da antena, tudo o que ele precisa fazer para entrar na internet é ir até o quintal de casa, onde o sinal é mais forte. A novidade representou economia para o estudante do segundo ano do Ensino Médio, que antes gastava perto de R$ 8,00 por semana para fazer os trabalhos escolares em uma lan house.
As atividades acadêmicas são conciliadas com o estágio no Telecentro da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato. O espaço é a principal alternativa de acesso à rede para quem não tem computador. O tempo, no entanto, é limitado em uma hora para pesquisas escolares e 30 minutos para lazer, como sites de relacionamento.
Agora vou comprar uma antena junto com a minha vizinha para ter um sinal melhor, já que o do notebook às vezes é fraco, comentou Lisboa, que pretende prestar vestibular para arquitetura ou gestão pública no ano que vem. E dessa forma buscar um destino diferente do pai, de 57 anos, que tem uma história de vida e trabalho vivida em meio às roças de café.
O acesso garantido aos moradores da zona rural foi uma das prioridades do prefeito Cristovon Ripol (PDT). Ele conta que muitos jovens da cidade já tinham computador, mas sem acesso à internet, por isso decidiu implantar o projeto Cidade Digital na cidade, com uma das torres no topo da igreja.
O investimento foi de R$ 25 mil e os equipamentos cedidos em comodato. A mensalidade custa R$ 4,5 mil. Um valor que, segundo Ripol, não assustou, já que o gasto com telefone e internet da prefeitura já era de R$ 1,5 mil por mês. Com este investimento, a perspectiva é atender cerca de 400 usuários.
A cidade contava com cerca de 200 usuários de serviços de internet por operadoras. Com isso, a economia local está sendo movimentada. Hoje, com certeza, R$ 15 mil deixam de ir para um provedor de internet e passam a circular no comércio. É dinheiro no caixa, ressalta. Atualmente, o Cidade Digital de Pitangueiras conta com cerca de 90 cadastrados.
Para Ripol, a internet pode ser uma ferramenta para o agricultor, que pode conferir desde as condições climáticas para definir o plantio quanto o momento do mercado para decidir quando comercializar a produção. (F.R.F.)





