Moradores de quatro bairros de Londrina estão mobilizados contra as torres das operadoras de telefonia celular, temendo doenças e a desvalorização dos imóveis. Após reclamação dos jardins Presidente, Alcântara, Santa Rita e Ouro Branco, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente instaurou quatro procedimentos administrativos. A promotora Luciana Ribeiro Lepri Moreira vai marcar uma audiência pública para debater o assunto. ‘‘O importante é um despertar da Câmara para que faça uma legislação com restrições sobre essas antenas’’, adianta.
No Jardim Alcântara (zona sul), a Embratel instalou uma antena de 63 metros de altura ao lado da casa do representante comercial Delsilvio Muniz. ‘‘Além do perigo à saúde, existe a preocupação com raios ou que caia alguma coisa sobre minha casa.’’ Segundo ele, um gerente de marketing da Embratel disse que as pessoas devem se acostumar com o progresso e que a região irá se transformar num ‘paliteiro’.
Para o presidente da Associação de moradores do bairro, Jonilson Favareto,
a Embratel não respeitou a comunidade. ‘‘As empresas agem como se Londrina fosse terra de ninguém. Eles não entraram no mérito do perigo, não se reuniram com os moradores. O que fizeram foi um estupro à nossa cidadania.’’ Favareto calcula que os imóveis próximos à torre desvalorizaram pelos menos 35%.
Albino Fernandes Guerra, da Divisão de Integração na Àrea de Engenharia da Embratel, afirma que a torre emite microondas para a telefonia fixa e não ao sistema celular. Segundo ele, a Embratel espera a audiência pública para mostrar que o sistema não oferece riscos. ‘‘Nossa posição é absolutamente de transparência para ajudar nesse tema.’’
Guerra diz ainda que a torre só poderia ser substituída por cabos de fibra ótica, havendo a necessidade de se quebrar calçadas. No portão do terreno onde está a torre há uma placa com a frase ‘‘Proibida a entrada, perigo de vida’’, mas o engenheiro Guerra alega que a frase é só para espantar curiosos, porque alí não há sistema de alta tensão.
No Parque Ouro Branco (zona sul) foi feito um abaixo-assinado contra as torres e moradores acreditam que a antena da Global Telecom atraiu um raio, queimando aparelhos eletrônicos em 15 casas. O aposentado José Aparecido Ramalho procurou auxílio do Juizado de Pequenas Causas. Segundo ele, o medo das doenças é outra preocupação diária da comunidade.
Para a advogada Helena Tondinelli, os moradores não receberam informações e têm medo das consequências das ondas eletromagnéticas. Segundo ela, o inspetor de saúde do Comando Militar do Leste (CML), desenvolveu um estudo revelando que essas ondas provocam alterações do sistema nervoso central, glândulas tireóide e supra-renais.
Mas o diretor de Assuntos Regulatórios da Global Telecom, Amílcar Marques, diz que as ondas eletromagnéticas não são prejudiciais à saúde. ‘‘Existem suspeitas, mas não há nada conclusivo e usando dentro dos padrões não causam mal nenhum ao ser humano.’’ Segundo ele, também não há ligação com o incidente provocado pelo raio e os aparelhos queimados no Parque Ouro Branco. Marques diz que a Global está disposta a receber um perito indicado pela comunidade para mostrar que a torre não teve ligação com o raio.

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