Antártida atrai pesquisador paranaense
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de abril de 1999
Vivian de Albuquerque 
Desde 1983, quando foi criada a Estação de Estudos Comandante Ferraz, a Antártida tem, em seu solo gelado, pés paranaenses. Não é de hoje que o continente interessa aos brasileiros como um grande centro de pesquisas e várias instituições do país têm mandado para lá equipes de pesquisadores das mais diferentes áreas. Entre elas, a Universidade Federal do Paraná, que através do Geia - o Grupo de Estudos de Impacto Ambiental, já desenvolveu pesquisas importantes, principalmente na área de comportamento e alimentação de alguns dos animais da região.
Comandada pela professora Edith Fanta desde o início do programa, a equipe de 1999 é integrada por sete pesquisadores, entre professores, pós-doutorandos, doutorandos e estudantes de iniciação científica da UFPR. Pessoas que, num prazo de cerca de dois meses, ficaram ou ficarão na estação estudando o comportamento dos peixes e a sua interação com os fatores ambientais.
É um projeto super complexo, explica Edith.Nos estudos entram aspectos da fisiologia, bioquímica e morfologia dos peixes. Para entender o sistema ecológico de um lugar, é preciso entender primeiro o relacionamento dos organismos com ele. A Antártida é um grande laboratório nesse sentido, justamente por não ter nenhuma influência humana.
Mas até que ponto interessa isso para o Brasil? A explicação da coordenadora do Geia é simples e convincente. De acordo com Edith, o país é muito grande, o que traz uma vantagem no que diz respeito a áreas para estudos. É como se fosse um grande laboratório, explica ela. Estudando o que acontece lá na Antártida e o que acontece aqui, podemos fazer um estudo comparativo para entender fenômenos biológicos importantes.
Um exemplo, segundo Edith, é o das aves antárticas migratórias que chegam até o Brasil em determinadas épocas do ano. É preciso conhecer o ciclo delas lá e aqui para que possamos preservá-lo, diz Edith. Nada no planeta é isolado. Quem estuda o gelo lá na Antártida, por exemplo, pode facilmente detectar, nas camadas mais profundas, quando começou a industrialização no mundo só pelos resíduos que já chegaram até lá.
Apoio - O Programa Antártico-Brasileiro funciona com o apoio logístico da Marinha do Brasil e com suporte financeiro do CNPq, que faz também a aprovação e a escolha dos projetos a serem implementados.
Depois de aprovado, o projeto pode ser desenvolvido de duas formas: ou no navio de estudos da própria Marinha, ou em terra, na Estação Antártica Comandante Ferraz e em acampamentos nas ilhas próximas.
Cada pesquisador reponsável recebe, de acordo com o tema da pesquisa, um certo número de vagas onde pode incluir alunos ou grupos de pesquisa. Pesquisadores do Geia que já estiveram na Antártida hoje mostram seus estudos em publicações, exposições e palestras não só na área científica, como também para leigos.


