Aproximadamente 16 toneladas de lixo precisam ser retiradas do Parque de Exposições Ney Braga diariamente. É o mínimo necessário para que os visitantes do dia seguinte encontrem, em um local de diversão, condições saudáveis para lazer, alimentação e negócios. E tanto as ruas por onde passam as celebridades como os pavilhões onde descansa o gado são mantidos limpos por personagens tão importantes quanto os visitantes da feira.
A empresa responsável pela varredura das ruas do parque emprega 360 funcionários. Entre eles, Franciele Cristina da Silva, dona-de-casa que aproveita os dias da exposição para engordar o orçamento familiar. Franciele, juntamente com mais duas mulheres, é responsável pela limpeza de uma das ruas do parque e começa o serviço às 7 horas. ''É tranquilo limpar por aqui. Mais difícil deve ser perto dos pavilhões'', afirma.
Tal dificuldade é confirmada por Joseline Maria Paulo, que varre e limpa os acessos aos pavilhões de gado. ''Os bois fazem muita sujeira. Toda hora tem que parar de varrer para eles passarem'', reclama. Mas Joseline também se diverte durante o serviço. ''A melhor parte de trabalhar aqui é poder conversar com as amigas'', brinca.
E se as ruas precisam de limpeza constante, os banheiros, por onde devem passar boa parte dos 850 mil visitantes da feira, contam com equipe permanente para a garantia de boas condicões de uso. Pela manhã, Lázaro André de Moraes e Daniel Monteiro ficam no banheiro em frente ao parque de diversões. Não reclamam do serviço: garatem que gostam do que fazem. ''Fico aqui dentro das 7 às 15 horas, limpando tudo'', conta Lázaro. ''Aprendi a gostar de trabalho com a vida.''
Nos pavilhões que abrigam o gado, o trabalho também é contínuo. Limpeza dos animais, cuidados veterinários e até mesmo partos são realizados na hora que que se julgar necessários, como conta o tratador Alex Pedro Moreira, de uma fazenda da cidade paranaense de Turvo (50 km ao norte de Guarapuava). ''Ontem (quarta-feira) mesmo eu e mais três peões ajudamos uma vaca charolesa a parir'', diz. O bezerro, ainda não batizado, nasceu à zero hora da quarta-feira.
Garçons são mais alguns dos personagens que ajudam no bom andamento da exposição. Toda a força gastronômica da feira é possível graças ao trabalho deles, que praticamente atravessam os dias no parque. O serviço começa às 8 horas, com a limpeza das toalhas de mesa, ritual encarado como o mais chato por Marcelo Andrade e Paulo Nunes. ''Mas vender, à noite, é muito bom'', falam os dois. Explica-se: o cargo é comissionado.
De acordo com o encarregado pelo almoxarifado da Exposição, Marcelo Pieri, diariamente pelo menos dois caminhões com oito toneladas de lixo orgânico e reciclável são retirados das dependências do Parque Ney Braga. Pieri conta também que durante toda a mostra os tratadores devem usar mais de 300 carretas de pó de serra para a confecção da cama para o gado. Tudo recomeçando no dia seguinte.

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