O ano está terminando mas alguns problemas vão acompanhar os londrinenses até 2012. Obras embargadas obrigam moradores a conviver com entulhos, poeira e a incerteza de quando tudo será resolvido. A abertura do Bosque Marechal Cândido Rondon (Área Central) para passagem de veículos está paralisada e os frequentadores têm que lidar com os entulhos e restos de árvores. O problema teve início em novembro, quando a prefeitura cortou diversas árvores e retirou as mesas de jogos e o piso no centro do ''Zerinho'', para que a Rua Piauí fosse reaberta entre as Avenidas São Paulo e Rio de Janeiro.
Protestos do Movimento Ocupa Londrina pelo corte das árvores chamaram a atenção e no dia 16 de novembro o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autuou o município e aplicou uma multa de R$ 9,8 mil. No dia 23 de novembro uma decisão judicial impediu a continuidade das obras de revitalização do Bosque e a reabertura da Rua Piauí até que a liminar seja revertida ou que a ação seja julgada. Com isso, o município ficou impedido de qualquer atividade no local, mesmo que seja para retirar os entulhos, sob pena de multa diária.
A dona de casa Aparecida Borges frequenta o local desde criança e acredita que o melhor para a população será a revitalização do local mas com foco no pedestre, sem a abertura da rua. ''Não vai resolver abrir isso aqui, o ideal é fazer um local para lazer, preservando o Bosque. Me lembro de quando vinha aqui brincar naquele antigo parquinho, são lembranças muito boas e acho que a população merece ter esse lugar para se divertir.''
Aristides Ferreira Borges, de 88 anos, e pai de Aparecida concorda. ''O Bosque é um lugar de diversão, não pode acabar. A cidade tem muito lugar para carro, precisamos garantir o espaço para os pedestres'', pede, ressaltando que por ser vizinho frequenta o lugar diariamente para seus passeios.
A filha espere que a obra seja terminada logo, assim que houver uma determinação da Justiça. ''Já chega o Calçadão que todo ano chegava nessa época todo bagunçado por causa das obras. Pelo menos entregaram a tempo agora e espero que aqui seja um local bonito como lá.''
Também vizinho do Bosque, Alceno Segantin Junior afirma que antes usava o local para caminhadas com a mãe mas prefere agora fazer exercícios em torno da Catedral, devido à sujeira dos pombos. ''Acho que é válido abrir a passagem para carros, mas o espaço para pedestres deve ser mantido, afinal temos poucas opções e muitos moradores da região ainda gostam de caminhar por aqui.''
Renata Siqueira, procuradora do município, explicou que o recurso está no Tribunal de Justiça, em Curitiba, e que a prefeitura pediu caráter de urgência para que seja julgado ainda no período de recesso, que vai até 9 de janeiro. ''Vai depender do entendimento do juiz. Caso ele não aceite nossa solicitação, será necessário aguardar a volta das atividades do Poder Judiciário. Queremos que isso seja resolvido logo, porque tememos que alguém possa se machucar nos entulhos'', destaca.

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