Ano Novo, uma pequena orgia gastronômica
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sábado, 31 de dezembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Se você controla sua alimentação durante o ano todo, deve continuar em alerta durante a ceia de Ano Novo, certo? Bom, certo é, mas na prática nem todos seguem à risca as recomendações. Virada de ano, tradicionalmente, é época de beber e comer à vontade como forma de brindar um novo ciclo que sempre chega cheio de expectativas. E a preocupação com as calorias, para a maioria, parece ficar para os outros 364 dias que virão.
Em uma das casas de carnes do Mercado Shangri-lá (Zona Oeste), a leitoa, o pernil e o lombo continuam reinando absolutos na última refeição do ano. ''Nos preparamos para receber cerca de 200 encomendas de assados'', revela o proprietário, Nilton Furuta. Ele trabalha no ramo há cerca de 20 anos e afirma que esta é uma data em que as pessoas não se preocupam em fazer regime. Em outras palavras, o que manda é a tradição.
Em outro box da família, onde são comercializadas bebidas, castanhas, doces, bacalhau e grande variedade de produtos importados, o intenso movimento na tarde da última quarta-feira comprova a tese do açougueiro. Por ali, parece que a moda do diet/light ainda não chegou. ''Não notamos diferença nos últimos anos. Continuamos vendendo muita castanha principalmente a portuguesa e bacalhau. Acho que, nesta época, as pessoas comem o que têm vontade'', atesta Antonio Tomio Furuta.
O bancário aposentado Josué Batista era um dos que compravam frutas secas e castanhas para a ceia. ''Não faço economia nesta época. Durante o ano todo procuro fazer caminhadas, controlar a alimentação, mas agora faço questão de comprar do bom e do melhor. Até porque na nossa família não fazemos ceia de Natal, apenas de Ano Novo.''
Na família do empresário Osmar Inouye a preocupação com as calorias também passa longe nesta época. ''Tem de tudo nas ceias de Natal e Ano Novo. É um costume da colônia japonesa. Fazemos leitão, peru, lombo, carneiro, peixe e ainda os pratos típicos, como sushi. Com as bebidas acontece o mesmo, compramos de tudo.''
Para o chef Otávio Luiz Rodrigues Alves, o Taíco, houve sim uma mudança nas ceias de final de ano, o que não chegou a comprometer a qualidade. ''Pelo contrário. Foi uma evolução.'' Ele lembra que adaptações na forma de preparar os pratos tornaram-os mais saudáveis. ''Antigamente usávamos muita manteiga, muitos cremes para os molhos. Hoje não, procuramos deixar tudo mais leve, com sobremesas à base de frutas no lugar de tortas, muitas ervas e vinho em vez de muito sal e pimenta-do-reino.''
Taíco observa que a própria forma de criar os animais para abate hoje em dia contribuiu para que as ceias perdessem uma boa dose de calorias. ''As leitoas já não são como antigamente, tão gordurosas.'' Os hábitos etílicos também já não os mesmos, segundo o chef de cozinha. ''Bebíamos muita cerveja, uísque. Hoje adotamos o hábito de beber mais vinho.''


