Ano-Novo sob olhar de várias religiões
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quarta-feira, 01 de janeiro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem local 
Londrina - "Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente". O texto acima foi escrito pelo poeta e ateu Carlos Drummond de Andrade, no poema "Cortar o tempo." Foi a forma que ele encontrou para dizer que a mudança de data no calendário, por si só, não modifica a vida das pessoas, mas ao colocar um fim para um período e iniciar outro produz uma sensação psicológica de que há uma nova chance para mudar as coisas para melhor. Nem todas as pessoas comemoram a passagem de ano da mesma forma. Mas como os diferentes credos lidam com essa virada na folha do calendário?
Festa mariana
Na Igreja Católica, o padre veste durante a cerimônia de Ano-Novo uma casula mariana, uma espécie de batina branca utilizada em dias de festa. "É a festa da Mãe de Deus e coincide com o Dia Mundial da Paz. Nesse dia o Santo Papa lê o Ângelus e há uma grande expectativa para o que estará escrito nele, já que será a primeira mensagem de Ano-Novo dele como papa", destacou o vigário do Santuário Nossa Senhora Aparecida de Londrina, padre Edivan Pedro dos Santos.
Ele afirmou que a cerimônia de Ano-Novo encontra-se na liturgia do ciclo de Natal da Igreja Católica. "São quatro semanas, que vão do Advento, que prepara a Noite de Natal, até a Epifania, ou seja, a festa dos Reis Magos, que acontece no dia 6 de janeiro", expôs. Ele explicou que não existe uma liturgia própria para o dia 31 de dezembro e que a missa do dia 1º de janeiro se comemora uma festa mariana.
O padre destacou que o calendário católico coincide com o calendário lunar. "Antropologicamente a gente sabe que a passagem de ano é importante e para nós é um tempo de reflexão e de agradecimento", observa.
Calendário lunar
Segundo o calendário islâmico, estamos no ano de 1435. A data marca a fuga de Maomé de Meca para Medina, que aconteceu em 16 de julho de 622 d.C. Como segue o calendário lunar, as datas são transitórias se comparadas ao calendário gregoriano. Segundo os muçulmanos, o ano terminou no dia 4 de novembro e começou no dia 5 de novembro na chamada Hégira.
De acordo com o xeque Omar Mohamed Hayek, de Londrina, a passagem de ano não representa nada especial. "É a mesmíssima coisa que os outros dias. O feriado dos muçulmanos são as cinco orações diárias obrigatórias. A felicidade não vem da vida mundana, mas da vida espiritual. Nós festejamos com orações e recordações de Deus e isso acontece durante o ano todo e não apenas no Ano-Novo", destaca o xeque.
De acordo com Hayek, os muçulmanos desejam em suas orações que tudo corra bem e com toda a felicidade para todas as criaturas da terra, principalmente aos humanos. Embora não siga um calendário cristão, ele ressaltou que aquele que não acredita em Jesus Cristo não é muçulmano. "Jesus foi um profeta que previu inclusive a vinda de Maomé, que foi o último dos profetas enviados por Deus", reforça.
Renovação
Para os evangélicos, o Ano-Novo é um refrigério da alma, quando há uma renovação das forças e dos ânimos. Esta é a visão do pastor Fernando Luís Pinto, presidente do Conselho de Pastores de Londrina e Região Metropolitana. Ele destacou que existem muitas ramificações da Igreja Evangélica e o que une todas elas é a fé em Cristo. "Por ser Cristo o foco de nossa adoração, no dia 31 de dezembro expressamos a nossa gratidão a ele em um culto de ação de graças", frisa.
Sobre as festividades, o pastor destacou que não é preciso uma alimentação refinada, pois Jesus é o pão da vida, e nem é necessário dar presentes caros para ter alegria, porque a maior alegria está em Jesus. Ele destacou que em Londrina existem cerca de 800 igrejas evangélicas. "Cada igreja possui autonomia para fazer esse culto como quiser. Aqui, na minha Igreja, nós nos ajoelhamos e oramos. Depois, no dia 1º, fazemos uma confraternização, em que nos alimentamos com frutas", diz.
Por isso, no Ano-Novo, confraternize com a família e amigos e renove a sua fé. Basta ver que existem mais semelhanças que diferenças entre os diferentes credos. A palavra Réveillon é uma derivação do verbo francês réveiller, que significa "despertar".
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