Em várias cadeias do Estado, o ano de 2006 começou com muito tumulto. A paz, tão lembrada e desejada nesta época, ficou longe das carceragens superlotadas. Em Londrina, Curitiba, Rolândia, Andirá e Palmital foram registradas tentativas de fugas e rebeliões. Em Rolândia, um dos presos simulou um ataque de asma para tentar fugir; em Londrina, os detentos escaparam das celas e ficaram horas no corredor. Como era dia de visita, a situação ficou ainda mais complicada. Em Palmital, seis presos conseguiram fugir; quatro permanecem foragidos, entre eles um acusado de triplo homicídio.
A reportagem da Folha conversou com o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delázari. Ele admite problemas estruturais nas principais delegacias e penitenciárias do Estado e diz que a solução é construir mais presídios.
Conhecendo a fragilidade na segurança, os presos do 4º Distrito Policial (Zona Sul de Londrina) estouraram os cadeados das celas na madrugada de ontem e até o início da tarde se recusavam a retornar para os xadrezes. Marcado em 2005 por constantes tumultos e tentativas de fuga, o distrito começou o ano também em situação crítica: a ocupação é quase quatro vezes maior do que a capacidade, cerca de 30 presos estão acomodados no corredor, só um investigador e dois policiais militares fazem a segurança noturna, o sistema hidráulico trabalha precariamente e não há previsão de mudanças significativas no curto prazo, já que o Centro de Detenção Provisória não deve ser inaugurado antes de junho.
De acordo com a Polícia Civil, os presos que ficam no corredor foram intimidados pelos que estavam nas celas a estourarem os cinco cadeados que foram colocados na última sexta-feira, data da derradeira revista geral. Os cadeados danificados foram substituídos ontem mesmo. Os presos ficaram soltos na carceragem desde a madrugada até às 16 horas, quando investigadores da Polícia Civil auxiliados por quatro equipes do Pelotão de Choque revistaram todas as celas e corredores.
Como ontem era dia de visita, familiares reclamaram que nada do que foi levado para os presos pode ser entregue. Até mesmo medicamentos foram barrados durante a revista dos visitantes. Eles ainda tiveram que esperar algumas horas do lado de fora até conseguirem entrar. Na saída, à tarde, não faltaram críticas dos familiares em relação à situação dos presos. A doméstica Maria da Silva Souza, 45 anos, reclamou que seu filho, Leandro Aparecido de Souza, 23 anos, é doente mental e está preso há cerca de três meses sem que seja submetido a uma perícia médica. Por causa das péssimas condições da carceragem, algumas mães e esposas já cogitam pedir a intervenção do Centro de Direitos Humanos de Londrina.
Entre os policiais, o clima é de apreensão constante e, ultimamente, de desânimo, já que viviam a expectativa de que o Centro de Detenção Provisória, que está sendo construído na Zona Sul, ficasse pronto nos primeiros meses do ano. Porém, nos últimos dias do ano passado, a informação era de que a nova unidade prisional só deve ser inaugurada entre junho e julho. O próprio ex-secretário estadual de Justiça, Aldo Parzianello, em seu discurso de despedida da pasta em 12 de dezembro, disse que as novas unidades que estão sendo construídas em Londrina, Cascavel, Piraquara, Cascavel, Foz do Iguaçu, Maringá e Francisco Beltrão deveriam ser inauguradas no prazo de seis meses. ''Para ser sincero, com a quantidade de investigadores que existe hoje em Londrina não temos condições nem para cuidar de preso quanto mais para investigar crimes'', comentou um policial civil.
O secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, lembrou que eventos como os ocorridos ontem são normais nesta época do ano, quando aumenta nos presos a vontade de estar junto aos familiares. Somado a isso, observou, há os problemas estruturais na maioria das delegacias e penitenciárias do Estado, favorecendo as rebeliões e tentativas de fugas.
''Tudo isto é falta de planejamento ao longo do tempo, que sucateou o sistema. Não há muito o que fazer senão manter a polícia em alerta e continuar com um trabalho sério de construção de novas penitenciárias'', disse, ressaltando que 11 presídios já estão sendo construídos no Estado, o que deverá duplicar o número de vagas. ''A intenção é entregar uma nova penitenciária por mês.''

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